Exame de sangue pode prever doença de Alzheimer com precisão

Nos testes já realizados pelos pesquisadores, a eficácia alcançada foi de 88%

Especialistas consideram o novo exame um "divisor de águas" no diagnóstico e tratamento da doença de Alzheimer. Crédito: Pikrepo

Cientistas da Suécia, do Reino Unido, da Espanha e dos Estados Unidos anunciaram hoje (30 de novembro) que elaboraram uma maneira de prever se os pacientes desenvolverão a doença de Alzheimer a partir da análise de seu sangue, informou a agência noticiosa AFP. Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista “Nature Aging”.

Atualmente, cerca de 50 milhões de pessoas no mundo vivem com Alzheimer. Essa doença degenerativa do cérebro é responsável por mais da metade dos casos globais de demência.

Embora seu mecanismo preciso ainda não seja totalmente compreendido, o Alzheimer aparentemente se origina do acúmulo de proteínas no cérebro, que podem levar neurônios à morte. Como algumas dessas proteínas são rastreáveis ​​no sangue dos pacientes, os testes baseados em suas concentrações poderiam ser usados ​​para diagnosticar a doença.

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Alta acessibilidade e baixo custo

Os pesquisadores do novo estudo agora acreditam que exames de sangue podem ser usados ​​para prever o mal de Alzheimer anos antes do início dos sintomas. No artigo publicado, eles contam como desenvolveram e validaram modelos de risco individual com base nos níveis de duas proteínas-chave em amostras de sangue coletadas de mais de 550 pacientes com deficiências cognitivas menores. O modelo baseado nessas proteínas teve uma taxa de sucesso de 88% na previsão do início do Alzheimer nos mesmos pacientes durante quatro anos.

Segundo os cientistas, embora mais pesquisas sejam necessárias, seu método de previsão pode ter um impacto significativo nos casos de Alzheimer. Eles explicam: “biomarcadores de plasma” de exames de sangue são “promissores devido à sua alta acessibilidade e baixo custo”.

“Se esses biomarcadores sanguíneos puderem prever a doença de Alzheimer em grupos maiores e mais diversos, poderemos ver uma revolução na forma como testamos novos medicamentos contra a demência”, avaliou Richard Oakley, chefe de pesquisa da Alzheimer’s Society.

Musaid Husain, professor de neurologia da Universidade de Oxford (Reino Unido), que não esteve envolvido no estudo, também se mostrou animado com a novidade: “Pela primeira vez, temos um exame de sangue que pode prever bem o risco de desenvolvimento subsequente da doença de Alzheimer em pessoas que apresentam sintomas cognitivos leves”, disse ele. “Precisamos de mais validação (dos resultados), mas, no contexto de outras descobertas recentes, isso pode ser um passo transformador para um diagnóstico precoce, bem como testar novos tratamentos em estágios iniciais da doença.”

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