Fezes congeladas revelam dieta de cães de trenó do Ártico no século 17

Estudo revela a importância do salmão nessa dieta, que por vezes podia incluir também outros cães

Paleofezes de cães submetidas a um processo de secagem. Crédito: Katharina Dulias

Proteínas de fezes caninas congeladas foram extraídas com sucesso pela primeira vez para revelar mais sobre as dietas dos cães de trenó do Ártico. Segundo a equipe internacional de pesquisadores, liderada pela Universidade de York (Reino Unido), a descoberta permitirá que os cientistas usem paleofezes (fezes antigas) para revelar mais sobre nossos ancestrais e seus animais. Um artigo sobre ela foi publicado na revista Proceedings of Royal Society B.

As proteínas recuperadas revelaram que os cães de trenó no sítio arqueológico de Nunalleq, perto de Quinhagak, no Alasca, consumiram músculos, ossos e intestinos de uma variedade de espécies de salmão, incluindo salmão-keta (Oncorhynchus keta), frequentemente chamado de “salmão canino”.

Também foram detectadas proteínas derivadas dos cães que depositaram as amostras. A maioria delas estava associada ao sistema digestivo e confirmava que as amostras passaram pelo trato gastrintestinal. No entanto, um fragmento ósseo encontrado em uma das amostras foi identificado como sendo de um canídeo, sugerindo que os cães também comiam outros cães. Isso é corroborado por observações anteriores de marcas de mordidas em ossos descartados.

Fonte única de informação

Para Anne Kathrine Wiborg Runge, doutoranda do Departamento de Arqueologia da Universidade de York e pesquisadora principal do estudo, o trabalho demonstrou a viabilidade das paleofezes congeladas como fonte única de informação. “A vida dos cães e suas interações com os humanos só recentemente se tornaram um assunto de interesse para os arqueólogos”, observou ela. “Este estudo de seus hábitos alimentares revela mais sobre sua relação com os humanos.”

Runge prosseguiu: “No Ártico, os cães dependem exclusivamente de humanos para se alimentar durante o inverno, mas decifrar os detalhes das estratégias de abastecimento tem sido um desafio. Em lugares como o Ártico, o permafrost preservou paleofezes. Agora, elas podem ser usadas ​​como uma fonte única de informação pela qual podemos aprender mais sobre o passado.”

Os pesquisadores usaram a paleoproteômica, uma técnica baseada em espectrometria de massa para recuperar proteínas das amostras fecais. Ao contrário de análises mais estabelecidas ou tradicionais, a proteômica pode fornecer informações sobre de quais tecidos as proteínas se originaram e possibilitar a identificação de quais partes dos animais foram consumidas.

Recurso caro

Análises complementares foram realizadas com Zooarchaeology by Mass Spectrometry (ZooMS), uma abordagem analítica pioneira na Universidade de York, em fragmentos ósseos recuperados de dentro das paleofezes. Essa técnica usa a proteína de colágeno preservada em artefatos arqueológicos e históricos para identificar as espécies das quais ela deriva.

“Os cães árticos dependem exclusivamente de humanos para alimentação durante os longos invernos, mas podem ter sido alimentados de forma diferente ou menos frequente no verão, ou eram soltos para se defenderem”, acrescentou Runge. “Cães de trenó de trabalho são um recurso particularmente caro, exigindo até 3,2 kg de peixe ou carne todos os dias. O abastecimento de cães teria, portanto, desempenhado um papel significativo nas estratégias de aquisição de alimentos das culturas árticas do passado.”

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