Filantropos americanos começam a investir em movimentos ambientalistas

Manifestação do grupo Extinction Rebellion em Londres em abril: um dos fatores que inspiraram a criação do fundo. Foto: David Holt/Wikimedia

Fundo doou de início cerca de US$ 630 mil e promete “cem vezes mais” nos próximos meses para grupos ambientalistas como o Extinction Rebellion

 

Um fundo criado por três ricos filantropos e investidores americanos doou cerca de US$ 630 mil para apoiar o movimento ambientalista britânico Extinction Rebellion e grupos que promovem greves em escolas inspiradas na jovem ativista sueca Greta Thunberg, e promete que muito mais dinheiro chegará a esses destinos nos próximos meses, segundo o jornal inglês “The Guardian”.

A iniciativa é liderada por Trevor Neilson (investidor e filantropo que trabalhou com algumas das famílias mais ricas do mundo, como as de Bill Gates e Richard Branson), Rory Kennedy (filha de Robert Kennedy) e Aileen Getty (integrante de uma família que enriqueceu com o petróleo). Os três se aliaram para lançar o Climate Emergency Fund (Fundo de Emergência Climática).

Segundo Neilson, o fundo nasceu inspirado pelas ações de Greta Thunberg e pelas manifestações do grupo Extinction Rebellion no Reino Unido em abril. Ele, Kennedy e Getty estão usando seus contatos entre os super-ricos para que uma quantia “cem vezes maior” que a inicial seja empregada com essa finalidade nos meses seguintes.

“Esta pode ser a melhor chance que temos para impedir a maior emergência que já enfrentamos”, disse ele ao jornal inglês.

 

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O dinheiro levantado pelo fundo será inicialmente usado para apoiar greves nas escolas e agrupamentos adeptos do Extinction Rebellion nos Estados Unidos (começando por Nova York e Los Angeles), mas também estará disponível para ajudar a disseminar grupos semelhantes pelo mundo. Oferece níveis de financiamento para apoiar desde adolescentes ativistas que querem dinheiro para folhetos e megafones até recursos destinados a salários e escritórios para grupos estabelecidos nas grandes cidades.

 

Ação radical

Neilson, cofundador da empresa de investimentos IX, já era um defensor de projetos ambientais, mas disse que só quando ele e sua família tiveram de fugir às pressas de um incêndio florestal na região onde moravam, em 2018, foi que percebeu que uma ação radical era necessária. “Algo sobre jogar meu filho de 2 anos e esposa no carro e fugir do pior incêndio na história do sul da Califórnia trouxe a questão para um novo tipo de foco”, afirmou.

“A história nos mostra que a mudança vem do povo. São movimentos de base ao longo da história que forçam os governos a agir quando o governo é resistente”, complementou.

Um porta-voz do grupo Extinction Rebellion saudou a iniciativa, dizendo ao “The Guardian”: “É um sinal de que estamos chegando a um ponto crítico. No passado, a filantropia tratou muitas vezes do interesse pessoal, mas agora as pessoas estão percebendo que estamos todos juntos nisso e estão investindo seu dinheiro para o nosso bem-estar coletivo”.