Fogo na Austrália está tingindo de rosa geleiras na Nova Zelândia

Fumaça e partículas de poeira provenientes de incêndios florestais estão viajando cerca de 2 mil quilômetros entre os dois países

Geleira com tom rosado fotografada por Liz Carlson: visão "louca". Crédito: Liz Carlson

A fumaça provocada pelos incêndios florestais que assolam a região de Nova Gales do Sul, no sudeste da Austrália (onde fica Sydney, a maior cidade do país), está acarretando consequências bem longe dali. Ela cobriu o Mar da Tasmânia e deixou rosadas as grandes geleiras da Nova Zelândia.

Imagens de satélite de quarta-feira (4 de dezembro) mostraram cinzas e partículas de fumaça numa viagem de 2 mil quilômetros, passando por Auckland e Wellington, as maiores cidades neozelandesas. Muitas dessas partículas também pousaram no Parque Nacional Mount Aspiring, na costa oeste da Ilha Sul, perto de Wanaka.

Em uma postagem em seu site Young Adventuress, a fotógrafa de viagem e blogueira Liz Carlson descreveu a sensação inusitada de ver as geleiras ficarem empoeiradas, devido às cinzas e poeira australianas. Ela disse que o céu ao redor de Wanaka ficou de início com a tonalidade amarela, mas isso desapareceu alguns dias depois.

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No trajeto de helicóptero rumo ao Monte Aspiring que fez em 28 de novembro, Carlson ficou intrigada com o que viu. “À medida que nos aproximamos cada vez mais da primeira grande geleira, tirei meus óculos escuros para limpá-los. Vi coisas ou a neve parecia, bem, um pouco vermelha? (…) De longe, as geleiras pareciam quase sujas, uma aparência de fuligem que costumam ter no fim de um verão quente, conforme o gelo derrete e rochas caem sobre o gelo em certos lugares. Mas era primavera”, escreveu ela.

Outra geleira tingida de rosa flagrada por Liz Carlson: cenário perturbador. Crédito: Liz Carlson
Pó vermelho

“Os recentes westerlies [ventos de oeste para leste que sopram naquela parte do mundo] trouxeram uma névoa vermelha e fumaça através do canal aqui para a Nova Zelândia”, prosseguiu ela. “Quando a poeira se depositou na Ilha Sul, também revestiu nossas geleiras com uma camada de vermelho.”

Segundo os meteorologistas, a cor distinta provavelmente também se deve ao pó vermelho e à terra serem coletados em áreas do interior da Austrália e depois transportados com a fumaça.

Para Carlson, a visão das geleiras normalmente imaculadas da Nova Zelândia salpicadas com um revestimento de pó rosa era “louca”.

Pores do sol deslumbrantes

Como não há sinais de chuva para atenuar os incêndios a oeste de Sydney (aliás, o Escritório de Meteorologia da Austrália declarou em 2 de dezembro que a primavera de 2019 é a mais seca já registrada) nem de mudança nos ventos de oeste para levar a fumaça para outro lugar, a Nova Zelândia deverá continuar a sentir nestes dias os efeitos do tórrido verão australiano. Como consolo, a população neozelandesa tem desfrutado de várias semanas de pôr do sol deslumbrante, graças ao efeito da fumaça e da poeira nos últimos raios do sol do dia.

“Embora eu não seja cientista, me pergunto se essa camada de vermelho existirá no gelo para contar a história dos incêndios em mil anos, da mesma forma que pudemos ver as camadas de cinzas das antigas erupções vulcânicas ao redor do mundo agora”, escreveu Carlson.

“Além de tudo, sei que nossas pobres e batalhadoras geleiras não precisam disso. Elas já estão derretendo muito rapidamente e (…) essa camada de poeira vermelha significa que não serão capazes de refletir a luz e derreterão ainda mais rapidamente. É profundamente perturbador.”

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