Forma do coração difere entre homem e mulher e muda com a idade

Diferenças na estrutura do coração podem explicar por que homens e mulheres têm riscos distintos de doenças cardíacas

Coração: pesquisa constatou diferenças na arquitetura desse órgão em homens e mulheres. Crédito: BHF

As diferenças na forma e na textura dos corações dos homens e das mulheres podem explicar por que o risco de doenças cardíacas difere, de acordo com uma pesquisa financiada pela British Heart Foundation (BHF), do Reino Unido. As descobertas estão sendo apresentadas no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Pesquisadores da Queen Mary University de Londres, em colaboração com a Universidade de Barcelona (Espanha) e a Universidade de Southampton (Reino Unido), usaram novas maneiras de observar a estrutura do coração de 667 pessoas saudáveis ​​– 309 homens e 358 mulheres – do estudo UK Biobank Imaging.

A equipe analisou exames de ressonância magnética cardíaca (CMR, na sigla em inglês), um tipo de exame do coração usado para diagnosticar e fornecer informações sobre várias doenças cardíacas. Eles desenvolveram um novo “kit de ferramentas” de análise de imagem específico do coração, chamado CMR radiomics, para obter informações mais detalhadas sobre o órgão. O “kit de ferramentas” foi aplicado a varreduras do ventrículo esquerdo – a parte do coração responsável por bombear o sangue pelo corpo.

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Ao compararem várias medidas de textura e formato do coração, os pesquisadores descobriram que, nos homens, o músculo cardíaco era dominado por texturas mais grossas. Já os corações das mulheres tinham texturas de granulação mais fina.

Área de superfície maior

Os pesquisadores também encontraram diferenças significativas na forma geral dos corações masculino e feminino. Por exemplo, os homens tinham uma área de superfície maior do músculo cardíaco em comparação com as mulheres, mesmo depois de levar em conta o tamanho do corpo.

O formato e a textura do coração mudam com a idade. Os participantes foram categorizados em três diferentes grupos de idade: 45-54 anos, 55-64 anos e 65-74 anos de idade.

As diferenças na forma do coração entre homens e mulheres diminuíram com a idade. Já as diferenças de textura permaneceram em todas as faixas etárias e dominaram na idade avançada.

Os pesquisadores agora aplicarão essa técnica às varreduras CMR de pessoas com doenças cardíacas e circulatórias. Estarão inclusos aí indivíduos com diabetes, pressão alta, colesterol alto e doenças coronárias. Isso poderá revelar como os detalhes mais intrincados da estrutura do coração diferem entre saúde e doença cardiovascular.

A drª Zahra Raisi-Estabragh, bolsista de treinamento em pesquisa clínica da BHF na Queen Mary University de Londres e pesquisadora principal, disse: “As atuais ferramentas de análise de imagem disponíveis em hospitais não abrangem totalmente a complexidade da arquitetura do coração. Precisamos conseguir ver o coração com muito mais detalhes para realmente entender como ele muda entre homens e mulheres, com o envelhecimento, e durante o desenvolvimento de doenças cardíacas. Nossa tecnologia tem grande potencial para fazer exatamente isso.”

Diagnóstico mais rápido e preciso

Raisi-Estabragh acrescentou: “Este trabalho é parte de uma estratégia de pesquisa mais ampla para desenvolver o CMR radiomics como uma ferramenta para melhorar o atendimento ao paciente. Nosso objetivo final é usar nosso ‘kit de ferramentas’ de imagem para permitir um diagnóstico mais rápido e preciso de doenças cardíacas, melhorar nossas estimativas de risco futuro de doenças cardíacas e compreender melhor os processos subjacentes às doenças cardiovasculares”.

“As varreduras CMR nos fornecem uma riqueza de informações sobre o coração, o que significa que podemos entendê-lo mais profundamente do que nunca”, afirmou a drª Sonya Babu-Narayan, diretora médica associada da British Heart Foundation. “Mas os pesquisadores cavaram ainda mais fundo para encontrar um tesouro enterrado nesses dados de rotina, revelando diferenças mais sutis que variam mais entre os homens e mulheres e por idade do que normalmente vemos. Em seguida, precisamos descobrir se essa tecnologia pode ser útil para avaliar o risco cardiovascular em mulheres e homens.”

Steffen Petersen, professor de cardiologia da Queen Mary University de Londres que supervisionou o projeto, disse: “Este trabalho inovador demonstra o potencial do UK Biobank como um poderoso recurso de pesquisa e o imenso valor das colaborações interdisciplinares e internacionais para o avanço do conhecimento do coração.”

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