Fotógrafo retrata povos de terras remotas do mundo todo

Alexander Khimushin saiu de uma das regiões mais isoladas da Sibéria para conhecer e clicar indígenas de diferentes cantos do planeta, de muitas culturas que estão em extinção

As pessoas de Soyot vivem em uma das áreas mais remotas ao longo da fronteira Rússia-Mongólia, caçando, pescando e pastando seus iaques. Há apenas algumas dúzias de pessoas cujos pais são ambos Soyot. A identidade Soyot já é contestada devido a casamentos com pessoas Buryat. A língua Soyot é extinta e muito pouco de sua cultura permanece até hoje. Este é Vladimir Rabdanovich Baldanov, 81, um dos últimos Soyots do mundo. (Crédito: Alexander Khimushin)

Alexander Khimushin é um fotógrafo nascido e criado em uma terra bem distante: República de Sakha, também conhecida como Iacútia, a região mais fria do mundo e uma das mais isoladas da Sibéria. Há mais de 10 anos ele viaja pelos cantos mais remotos do mundo para aprender sobre as culturas e formas tradicionais de vida dos povos locais – e, claro, retrata todos eles.

Dessas expedições nasceu o projeto fotográfico The World In Faces (o mundo em faces, em tradução livre), que mostra a incrível diversidade de nosso mundo por meio de fotografias e histórias pessoais dos indígenas de cada ponto do planeta. E já ganhou espaço na sede das Nações Unidas, em Nova York, em 2018.

“Eu assumi a missão de contar ao mundo sobre essas pessoas únicas e suas culturas antigas, para compartilhar sua sabedoria, mostrar seus rostos e contar suas histórias”, afirma ele. Khimushin espera que as imagens que produz sejam um chamado à ação para reconhecer e proteger as formas e os direitos dos povos indígenas, além de aumentar a conscientização global sobre as lutas, visões de mundo e resiliência desses povos.

Muitas dessas minorias étnicas, seus conhecimentos e suas línguas estão em extinção devido à rápida globalização, destruição do ambiente e a conflitos raciais e religiosos. Para resgatar um pouco disso, as Nações Unidas declararam oficialmente 2019 o Ano Internacional das Línguas Indígenas. Segundo as previsões oficiais, 50% a 95% das línguas do mundo desaparecerão até o final deste século. A cada duas semana morre o idioma de um grupo indígena.

Confira abaixo algumas fotos de Khimushin, com legendas escritas por ele. Muito mais imagens estão disponíveis no site oficial do fotógrafo.

Evens é um povo indígena siberiano de origem Manchu-Tungus. Evens tem uma rica história oral, e tem vivido nesta parte do mundo desde o primeiro milênio d.C. Sua língua é falada por comunidades de pastores de renas, espalhados por milhares de quilômetros nas regiões mais frias e mais isoladas da Sibéria. Com apenas cerca de 5.700 falantes, a linguagem Even é considerada severamente ameaçada. (Crédito: Alexander Khimushin)
Uma mulher Hamar casada (como indica seu top colar) é retratada aqui durante sua visita a um mercado semanal na vila de Turmi para trocar produtos locais. O povo Hamar é pastoril, principalmente dependente de seu gado. Eles celebram uma rica cultura e tradições que se concentram nesses animais. Existem aproximadamente 42.838 falantes de Hamar. Eles representam aproximadamente 0,05% da população da Etiópia. (Crédito: Alexander Khimushin)
O povo Huli tem muitas tradições vibrantes e únicas – uma delas, a criação de perucas usando seu próprio cabelo, é apresentada nesta foto. Quando os meninos entram na puberdade, eles vivem separadamente dos membros femininos de seu clã por cerca de um ano. Durante essa iniciação, os rapazes vivem sob a orientação direta de anciãos do sexo masculino, deixando crescer o cabelo e, no fim, cortam-no com um mestre de peruca tradicional. As perucas, decoradas com penas, são usadas em cerimônias ao longo de toda a vida do homem. (Crédito: Alexander Khimushin)
O povo Dukha vive em uma das florestas mongóis de taiga mais remotas e inacessíveis na fronteira com a República de Tuva, na Sibéria. Eles são os únicos pastores de renas indígenas da Mongólia. Ulzii Sandag, 80, é uma das únicas 282 pessoas Dukha. Se contarmos seus 14 filhos, mais de 60 netos e um grande número de bisnetos, cujo número total ela não conseguia lembrar, pode-se dizer que Ulzii é a progenitora de mais da metade do povo Dukha. Na opinião de Ulzii, o traço mais importante de um caráter humano é a humanidade: “Desejo que todas as pessoas do mundo vivam em paz e harmonia!” (Crédito: Alexander Khimushin)
Sailau Jaryk, 68, é um berkuchi – um caçador de águias. Ele praticou sua caça tradicional com um pássaro berkut nos últimos 37 anos. Ele caça em média 3 dias por semana. Nos últimos 37 anos, Sailau teve 9 aves. Embora, em média, a expectativa de vida de uma águia dourada mongol seja de 25 anos, Sailau nunca manteve um pássaro por mais de 8 anos. Ele acredita que suas águias também devem viver livre e soltas depois do tempo que eles caçam juntos. Esta é a tradição de seu povo. Embora a língua cazaque seja amplamente falada no vizinho Cazaquistão, a antiga tradição da caça à águia está ameaçada. Só existe hoje entre esta pequena comunidade de cazaques da Mongólia. (Crédito: Alexander Khimushin)
Joselin Pamela Valdez e sua família moram nas montanhas Cuchumatan das Terras Altas da Guatemala. Devido ao seu afastamento, a Comunidade Ixil manteve em grande parte sua cultura tradicional. A maioria das mulheres são tecelãs que fazem as roupas tradicionais artesanalmente que as mulheres Ixil vestem com orgulho na vida cotidiana. Os Ixil estão entre os povos indígenas que sofreram terríveis atrocidades durante a guerra civil guatemalteca que durou 36 anos tendo terminado em 1996. Em 2012, Rios Montt, ex-presidente da Guatemala, foi considerado culpado pelo massacre de 1.771 pessoas Ixil. Um recurso indeferiu sua condenação e ele morreu em 2018, antes do veredito final do segundo julgamento. (Crédito: Alexander Khimushin)
Vivendo no vale entre duas das mais altas cadeias de montanhas do mundo, o povo Khik está praticamente isolado do resto do mundo, no Afeganistão. Os burros são usados como o principal meio de transporte. Os Khik são tradicionalmente um povo nômade, que depende de seus rebanhos de iaques para sobreviver. No entanto, agora muitos deles se instalaram em casas de barro ao longo do rio Panj, onde praticam a agricultura. Devido ao seu extremo isolamento, suas tradições e cultura, incluindo suas roupas cotidianas, permaneceram intactas. (Crédito: Alexander Khimushin)
Durante o período de 1905-1969, as autoridades do governo australiano e a polícia receberam o poder de retirar as crianças aborígines de suas famílias para cuidar delas. Essas crianças foram assimiladas à cultura anglo-australiana. Estima-se que cerca de 100.000 crianças no total, ou quase uma em cada três pessoas aborígenes na época, foram removidas à força de suas famílias. (Crédito: Alexander Khimushin)
O povo Oroqen vive em uma parte remota da Província da Mongólia Interior, na China. A língua Oroqen nunca foi escrita até agora; é considerada severamente ameaçada. Tradicionalmente os Oroqens são caçadores, no entanto, a maioria deles fez a transição para outras ocupações para aderir às novas leis de proteção da vida selvagem aprovadas na China. O governo forneceu apoio e moradias modernas para aqueles que estão se integrando e deixaram para trás seu estilo de vida tradicional. (Crédito: Alexander Khimushin)
O rio Sepik serve como a única “estrada” para muitas aldeias Sepik, com pouca ou nenhuma infra-estrutura, incluindo eletricidade, lojas ou outras amenidades. Esse isolamento ajudou a preservar a cultura do leste de Sepik por gerações. No entanto, há temores de que seu paraíso remoto seja destruído pela mineração em breve. Existem planos de desenvolvimento para introduzir uma nova mina de ouro e cobre na região. Estima-se que esta área seja um dos maiores depósitos de cobre e ouro não explorados do mundo, mas o risco de catástrofe ecológica como resultado dessa atividade pode superar os possíveis benefícios para os povos do leste do rio Sepik. (Crédito: Alexander Khimushin)

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