Gelo de Groenlândia e Antártida, corrente do Golfo e Floresta Amazônica: efeito dominó

Simulações em computador indicam que, se a temperatura média do mundo chegar ao limite definido no Acordo de Paris, os quatro dominós desabam

Costa sudeste da Groenlândia: a elevação de 2°C na temperatura média da Terra coloca em risco as geleiras da ilha e da Antártida, com sequelas na corrente do Golfo e na Floresta Amazônica. Crédito: Ringomassa/Wikimedia Commons

O aquecimento global chegando à marca de 2°C pode desencadear um efeito dominó entre as plataformas de gelo na Antártida ocidental e as que seguram as geleiras na Groenlândia, a corrente do Golfo no Atlântico Norte e a Floresta Amazônica. Pesquisadores do Potsdam Institute rodaram milhões de simulações para estudar a inter-relação entre os 4 sistemas. Com uma temperatura média global chegando ao limite de Paris, em ⅓ das simulações, os quatro dominós desabam.

O inédito do trabalho foi destacar como um sistema influencia os demais. Por exemplo, o derretimento das plataformas de gelo da Groenlândia aumenta a quantidade de água doce no Atlântico Norte. Isso faz ralentar a corrente do Golfo, o que enfraquece o transporte de calor para o norte. Esse calor acumula-se no hemisfério sul, onde aquece as águas antárticas, o que acelera o derretimento das plataformas de gelo de lá. O calor acumulado também provoca mais secas na Amazônia, aumentando a perda florestal. O trabalho está disponível no site da agência europeia Copernicus e foi comentado no The Guardian.

Nitrogênio e potássio

Outro ponto de ruptura citado no documentário Breaking Boundaries é a descarga de nitrogênio e potássio nos rios. A extensa bacia do Mississippi recebe o excesso de fertilizantes aplicados do sul do Canadá e ao longo da área mais importante do agronegócio norte-americano. O rio forma um vasto delta ao longo do Golfo do México, onde a descarga destes nutrientes favorece a proliferação de algas. Quando estas morrem, descem para o fundo do golfo, decompondo-se e consumindo o oxigênio dissolvido na água, criando assim uma zona morta que se estende por milhares de quilômetros quadrados. De vez em quando passa um furacão que revolve as águas, realimentando-as de oxigênio.

Segundo o Nola, a previsão para este ano é de uma zona morta do tamanho de metade do estado de Alagoas.

Ainda sobre zonas de hipóxia (concentração baixa ou nenhuma de oxigênio), pesquisadores examinaram quase 400 lagos em regiões temperadas e constataram um aumento de zonas mortas. Isto acontece devido à descarga de fertilizantes, agravada pelo aumento da temperatura das águas, que também reduz a quantidade de oxigênio dissolvido. O trabalho acaba de sair na Nature e foi comentado na AP e no The Guardian.

Em tempo: O WWF publicou um estudo sobre as espécies mais ameaçadas pelo aquecimento global. Na lista estão espécies diretamente afetadas pelo aquecimento, como os corais. Há espécies afetadas por alterações na sua cadeia alimentar, como o papagaio-do-mar. Com a redução das neves, a lebre da montanha, de pelagem branca, está se tornando presa fácil de se ver. Abelhas não estão conseguindo se adaptar às primaveras que brotam cada ano mais cedo, além de sofrerem com o calor. E o macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta da Amazônia, que sobrevive em uma pequena área da floresta, está perdendo-a para o desmatamento. Fiona Harvey comentou o trabalho no The Guardian.

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