Genômica explica migração de sardinhas famosa no mundo

Curiosamente, as sardinhas do Oceano Atlântico, menos adaptadas às águas subtropicais mais quentes do Oceano Índico, são maioria na jornada

Cena de Migração da Sardinha em 2014: dados genômicos do fenômeno surpreenderam os cientistas. Crédito: Lakshmi Sawitri/Wikimedia Commons

Uma equipe internacional de cientistas descobriu como funciona a Migração da Sardinha, um dos maiores eventos migratórios do mundo. Considerado o “Maior Cardume da Terra”, o fenômeno envolve o movimento de centenas de milhões de sardinhas de sua faixa central de águas temperadas a frias para as águas subtropicais mais quentes do Oceano Índico, na costa leste da África do Sul. O estudo foi publicado na revista Science Advances.

A Migração da Sardinha é desencadeada pela ressurgência de água fria na costa sudeste sul-africana. À medida que sobem para o norte, as sardinhas ficam presas entre a costa e uma corrente quente fluindo para o sul que excede sua capacidade fisiológica. Elas são então predadas por um grande número de golfinhos, tubarões, pássaros marinhos e até mesmo baleias, um evento que já apareceu em muitos documentários sobre a natureza.

No novo estudo, cientistas sul-africanos e australianos testaram a hipótese de que Migração da Sardinha representa a migração reprodutiva de um cardume distinto da costa leste adaptado a condições subtropicais quentes. Os cientistas geraram dados genômicos para centenas de sardinhas de toda a África do Sul, incluindo dados de regiões do genoma que estão principalmente associadas a diferenças na temperatura da água ao longo da costa.

Falta de adaptação

Os resultados mostraram duas populações de sardinha na África do Sul, uma na costa oeste de águas temperadas a frias (Oceano Atlântico) e outra em águas mais quentes da costa leste (Oceano Índico). Cada população regional parece adaptada à faixa de temperatura que experimenta em sua região nativa.

“Surpreendentemente, também descobrimos que as sardinhas que participam da migração são principalmente de origem atlântica e preferem águas mais frias”, disse o professor Luciano Beheregaray, do Laboratório de Ecologia Molecular da Universidade Flinders (Austrália), um dos autores do estudo.

“A água fria dos breves períodos de ressurgência atrai as sardinhas da costa oeste, que não estão adaptadas ao habitat mais quente do Oceano Índico”, afirmou o professor Peter Teske, da Universidade de Joanesburgo (África do Sul), primeiro autor do estudo

Achado raro

“Este é um achado raro na natureza, uma vez que não há benefícios de aptidão óbvios para a migração. Então, por que eles fazem isso?”, prosseguiu Teske. “Achamos que a Migração da Sardinha pode ser uma relíquia do comportamento de desova que remonta ao período glacial. O que hoje é habitat subtropical do Oceano Índico era então uma importante área de viveiro de sardinha de águas frias.”

Essa corrida de migração visualmente deslumbrante atrai turistas de todo o mundo que desejam ter um vislumbre do espetáculo subaquático. Mas ela pode não durar para sempre. “Dadas as origens de água mais fria das sardinhas participantes da corrida, o aquecimento projetado pode levar ao fim da Migração da Sardinha”, disse o professor Beheregaray.

Apesar do grande número de peixes envolvidos, a corrida envolve apenas uma pequena porção da população sul-africana de sardinhas. Então, embora seu fim signifique a perda de uma das migrações mais espetaculares da natureza, os efeitos sobre a população desses peixes como um todo são provavelmente insignificantes.

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