Geografia retificada: Xangai aumenta seu território

A maior cidade chinesa dedica parte das terras que recupera à criação de parques, florestas e pântanos

A expansão vista do céu: à esquerda, a imagem de 2016, em que aparecem o Lago Dishui (embaixo) e a linha do muro que delimita as futuras terras; à direita, a mesma área em 2019, com vegetação harmônica em volta do lago e terras novas já aproveitadas. Crédito: Joshua Stevens/Nasa Earth Observatory, com dados do satélite Landsat do USGS

A área metropolitana de Xangai, a mais populosa cidade chinesa, ficou em primeiro lugar nas listas de crescimento econômico e populacional nas últimas décadas. Portanto, não surpreende que a metrópole de 24 milhões de pessoas se destaque de outra maneira: a quantidade de novas terras criadas ou “recuperadas” pelo homem, como mostra o site Earth Observatory, da Nasa.

Dois estudos publicados recentemente colocam Xangai como a cidade líder mundial em recuperação de terras. Esse processo de criação de terras normalmente envolve dragagem e drenagem de áreas costeiras rasas usando navios, bombas e lama. Os estudos são baseados em análises de imagens do satélite Landsat.

Enquanto a terra recuperada é normalmente usada para portos, indústria e habitação, Xangai se destaca por dedicar parte de sua nova área a parques, florestas e pântanos. Essa tendência é visível nas duas imagens mostradas aqui, de 2016 e 2019, adquiridas pelo Operational Land Imager (OLI) no Landsat 8. Nanhui é uma cidade recém-construída em Pudong, na Baía de Hangzhou, a cerca de 60 quilômetros do centro de Xangai.

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Plantações projetadas

Uma das características mais marcantes é o Lago Dishui, um lago circular de água doce construído por engenheiros entre 2003 e 2005 a partir de sedimentos depositados pelo rio Yangtze. Em alguns anos, os paisagistas plantaram vários arbustos, árvores e outras vegetações no Green Ring Park, que circunda o lago – plantações que foram projetadas para melhorar a fertilidade do solo e estabelecer florestas.

Desde 2016, a vegetação nesses parques encorpou-se. Enquanto isso, novos trechos de verde (pântanos costeiros) surgiram logo ao norte do lago, em terras costeiras recém-recuperadas. Com uma combinação de charcos, arrozais e viveiros de aquicultura, essas áreas se tornaram um refúgio para as aves migratórias que viajam da Austrália para a Sibéria – assim como os observadores de pássaros que as seguem.

Com a nova terra, surgem perguntas sobre como melhor usá-la. Alguns observadores de pássaros e grupos ambientalistas querem mantê-la como pântano e expressaram preocupações sobre os planos do governo de plantar árvores, o que tornaria a terra menos hospitaleira para alguns tipos de aves. No entanto, os planejadores do governo dizem que precisam continuar plantando árvores para atender aos padrões da cidade em termos de cobertura florestal e designaram partes da ilha de Chongming, nas proximidades, para criação de aves, segundo reportagem publicada no site Caixin.

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