Governantes de dinastia do Egito antigo descendiam de migrantes

Os hicsos, que comandaram o Egito durante a 15ª dinastia, não eram um povo invasor, mas sim um grupo estrangeiro que já estava instalado no país havia gerações

Leão do rei hicso Seuserenre Khyan, do acervo do Museu Britânico: grupo antes considerado um povo invasor estrangeiro na verdade descendia de migrantes instalados havia muito tempo no Egito. Crédito: Juan R. Lazaro/Wikimedia

Os hicsos, que governaram durante a 15ª dinastia do Egito antigo, não eram invasores estrangeiros, mas um grupo interno que subiu ao poder. A conclusão é descrita em um estudo de cientistas britânicos e austríacos publicado na revista “PLoS ONE”.

Os hicsos eram uma dinastia estrangeira que comandou partes do Egito entre aproximadamente 1638 e 1530 a.C. – a primeira ocasião em que o Egito foi governado por indivíduos de origem estrangeira. A história comumente aceita é que os hicsos eram invasores de uma terra longínqua, mas essa ideia foi posta em questão. As evidências arqueológicas vinculam a cultura hicsa a uma origem no Oriente Próximo, mas exatamente como eles chegaram ao poder não está claro.

No estudo, Chris Stantis, da Universidade de Bournemouth (Reino Unido), e colegas coletaram amostras de esmalte dos dentes de 75 humanos enterrados na capital hicsa de Tell el-Dab’a, no nordeste do delta do rio Nilo. Comparando as proporções de isótopos de estrôncio nos dentes e assinaturas de isótopos ambientais do Egito e de outros lugares, eles avaliaram as origens geográficas dos indivíduos que moravam na cidade. Os pesquisadores descobriram que uma grande porcentagem da população era de não locais que migraram de uma grande variedade de outros lugares. Tal padrão era verdadeiro antes e durante a dinastia hicsa.

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Química arqueológica

Esse padrão não corresponde à história de uma invasão repentina de uma única terra longínqua. Na verdade, trata-se de uma região multicultural onde um grupo interno – os hicsos – finalmente chegou ao poder depois de viver lá por gerações.

O estudo é o primeiro a usar a química arqueológica para abordar as origens dos governantes hicsos. Os autores observam, porém, que mais investigações e técnicas químicas mais amplas serão necessárias para identificar os ancestrais específicos dos hicsos e de outros residentes não locais do Egito.

Stantis acrescentou: “A química arqueológica, especificamente a análise isotópica, mostra a migração de primeira geração durante um período de grandes transformações culturais no Egito antigo. Em vez das antigas teorias escolásticas de invasão, vemos mais pessoas, especialmente mulheres, migrando para o Egito antes de os hicsos governarem. Isso sugere mudanças econômicas e culturais que levam ao domínio estrangeiro, e não à violência”.

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