Grandes empresas ainda fazem pouco no combate ao aquecimento global

A área de petróleo e gás é uma das que não atuam para cumprir a meta do Acordo de Paris. Foto: Walter Siegmund/Wikimedia

Entre as maiores empresas emissoras de gases-estufa do mundo, só uma pequena parcela cumpre a meta do Acordo de Paris

 

Cerca de 25% das empresas de capital aberto do mundo não informam suas emissões de gases do efeito estufa e quase metade delas não considera adequadamente os riscos da crise climática em suas tomadas de decisão, informa uma pesquisa realizada pelo Grantham Research Institute on Climate Change and the Environment, que funciona na London School of Economics.

O trabalho, noticiado pelo jornal “The Guardian”, foi feito por encomenda da Transition Pathway Initiative, um grupo de investidores com cerca de US$ 14 trilhões em fundos administrados que apoia o Acordo de Paris sobre mudança climática.

A pesquisa cobriu uma amostra de 274 das maiores empresas emissoras de gases-estufa do mundo listadas publicamente, as quais devem divulgar oficialmente seus principais dados financeiros. Essas companhias atuam em setores-chave da economia, como petróleo e gás, aço e alumínio, serviços públicos, fabricação de automóveis e transporte aéreo, e suas emissões somadas correspondem a mais de 40% das emissões de empresas públicas do planeta.

De uma amostra menor de 160 das maiores empresas emissoras, apenas 20 (12,5%) reduziram suas emissões no índice necessário para cumprir a meta de manter o aumento de temperatura em até 2 °C em relação aos níveis pré-industriais, definida em Paris.

“Já se passaram mais de três anos desde que o Acordo de Paris foi assinado, e esta pesquisa mostra que o setor corporativo está melhorando seu planejamento climático e desempenho, mas não de modo rápido o suficiente”, afirmou Simon Dietz, codiretor do Grantham Institute. “Indo diretamente ao ponto, podemos ver que apenas 12% das empresas planejam reduzir as emissões na taxa necessária para manter o aquecimento global abaixo de 2 °C”.

Na opinião de Faith Ward, copresidente da Transition Pathway Initiative, os investidores estariam atentos: “À medida que os efeitos da mudança climática ficam mais acelerados, podemos esperar ver mais fluxos de capital longe das empresas que enterram a cabeça na areia e na direção dessas companhias alinhadas com um caminho de 2 °C”.

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