Greta Thunberg: novos ares na luta ambiental

Hostilizada por gente como Donald Trump, Jair Bolsonaro e extremistas alemães, a sueca Greta Thunberg (que faz hoje 17 anos) simboliza uma nova e mais instigante frente de combate aos governantes que não enfrentam a sério o aquecimento global

Greta Thunberg: a cobrança aos governantes pela inação ante as mudanças do clima ganhou nome e voz. Crédito: Anders Hellberg/Wikimedia

A tática inicial foi curiosa: todas as sextas-feiras, desde agosto de 2018, a adolescente sueca Greta Thunberg falta à escola e se senta na frente do Parlamento, em Estocolmo, à espera de medidas concretas dos políticos do país contra a mudança climática. O gesto solitário de Greta, que neste 3 de janeiro completa 17 anos, foi conquistando adeptos ao redor do planeta e formando um movimento, o “Fridays For Future” (Sextas-Feiras pelo Futuro), responsável por uma greve escolar mundial deflagrada em 15 de março de 2019. Milhares de estudantes, incluindo brasileiros, protestaram nas ruas nessa data.

Conforme o tempo passa, Greta ganha proeminência: ela participou de eventos do porte das COPs 24 e 25 (edições da Conferência do Clima da ONU realizadas respectivamente na Polônia e na Espanha), do Encontro de Cúpula de Ação Climática da ONU, em Nova York, e do Fórum Econômico Mundial de Davos, discursou no Parlamento Europeu e reuniu-se com o papa Francisco. Ela já foi indicada ao Nobel da Paz e foi eleita em 2019 a Pessoa do Ano pela revista americana “Time”. Com mais de 9,2 milhões de seguidores no Instagram e de 3,8 milhões no Twitter, a garota sueca se tornou um fenômeno difícil de ignorar.

Em maio, o partido de extrema direita alemão AfD (que nega o aquecimento global), por exemplo, tachou Greta de “fraude” e “deficiente mental” – uma alusão ao fato de que a jovem é portadora da Síndrome de Asperger, uma forma leve de autismo. Para Greta, essa doença não é um problema, mas uma vantagem: “Isso me faz diferente, e ser diferente é uma dádiva. Me faz ver coisas além do óbvio.”

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Greta também se tornou alvo de dois presidentes que negam o aquecimento global, Donald Trump, dos EUA, e o brasileiro Jair Bolsonaro (que a chamou de “aquela pirralha”). Mas essas e outras agressões não tiram a jovem de uma trajetória aparentemente irreversível: ser uma (desagradável) voz da consciência para os governantes que se recusam a agir para um enfrentamento a sério do problema planetário representado pela mudança do clima.

 

FRASE

“Por que devemos ir para a escola se não há futuro? E por que devemos aprender sobre fatos, se os fatos mais importantes não importam?”

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