Groenlândia pode ter começado a perder gelo ainda nos anos 1980

Conclusão de estudo antecipa em mais de uma década o início desse fenômeno

Geleira groenlandesa: no total, 224 geleiras lançam icebergs do manto de gelo da Groenlândia para o oceano. Crédito: Christine Zenino/Wikimedia Commons

A quantidade de neve que cai nas geleiras da Groenlândia pode ter sido menor do que a água perdida pelo desprendimento e derretimento de icebergs desde pelo menos meados da década de 1980, revelou um estudo de quase 40 anos de imagens de satélite. O trabalho foi publicado na revista “Journal of Glaciology”.

O estudo foi realizado por Dominik Fahrner, doutorando da Escola de Ciências Ambientais da Universidade de Liverpool (Reino Unido). Ele envolveu a revisão de mais de 20 mil imagens de satélite de mais de 200 geleiras e, em seguida, a seleção de cerca de 3.800 imagens para análise. Essa análise mostrou que algumas geleiras estavam perdendo gelo por mais de uma década antes do período anteriormente aceito.

Essa é uma das primeiras avaliações em grande escala de uma gama tão ampla de geleiras. Anteriormente, essa tarefa era muito demorada e cansativa devido ao tempo necessário para fazer o download das imagens, processá-las e analisá-las. O estudo foi possível graças à computação em nuvem. Essa tecnologia reduziu o tempo de obtenção dessas imagens de 20 minutos por imagem para cerca de 5 segundos.

Escalas de tempo longas

Todas as imagens usadas existiam desde que foram capturadas – para muitas, isso foi há décadas. No entanto, aproveitando as vantagens da tecnologia de computação em nuvem, é a primeira vez que foi possível analisá-las em escalas de tempo tão longas em todo o manto de gelo.

A pesquisa também revelou que, coletivamente, geleiras que dão origem a icebergs reagem de uma maneira relativamente simples e linear em resposta a fatores climáticos (por exemplo, temperatura do oceano e temperatura do ar). Já quando vistas individualmente, suas reações são complexas e não lineares.

Essas descobertas tornarão muito mais fácil e simples modelar o comportamento de geleiras marinhas como um grupo no futuro. Anteriormente, a complexidade computacional dessa tarefa e a incerteza em torno de inserções no modelo significavam que não era possível modelar cada geleira para muitos cenários de mudança climática diferentes.

Veja também

+ Invasão de vespas assassinas aumenta tensão com 2020 nos EUA
+ Anticoagulante reduz em 70% infecção de células pelo coronavírus
+ Assintomáticos: 5 dúvidas sobre quem pega o vírus e não tem sintomas
+ 12 dicas de como fazer jejum intermitente com segurança