Grupo de ilhas do Alasca pode ser um único megavulcão interconectado

Se hipótese sugerida por evidências for confirmada, local poderia ter supererupções com sérias consequências para o planeta

Ilhas das Quatro Montanhas, no Alasca: possível parte emersa de um enorme vulcão. Crédito: Bailey, Ed/U.S. Fish and Wildlife Service

Um pequeno grupo de ilhas vulcânicas no arquipélago das Aleutas, no Alasca (EUA), pode ser parte de um único vulcão gigante não descoberto, dizem cientistas que vão apresentar as descobertas na segunda-feira, 7 de dezembro, na reunião de outono da União Geofísica Americana (AGU, na sigla em inglês) de 2020. Se as suspeitas dos pesquisadores estiverem corretas, a caldeira pertenceria à mesma categoria vulcânica que a caldeira de Yellowstone e outros vulcões que tiveram supererupções com graves consequências globais.

As Ilhas das Quatro Montanhas, nas Aleutas centrais, são um grupo restrito de seis estratovulcões chamados Carlisle, Cleveland, Herbert, Kagamil, Tana e Uliaga. Estratovulcões são o que a maioria das pessoas imagina quando pensa em um vulcão: uma montanha cônica íngreme com uma bandeira de nuvens e cinzas ondulando no topo. Esses vulcões podem ter erupções poderosas, como a do Monte Santa Helena (EUA) em 1980. Mas estas últimas são diminuídas por erupções formadoras de caldeira muito menos frequentes.

Pesquisadores de várias instituições e disciplinas têm estudado o Monte Cleveland, o vulcão mais ativo do grupo, tentando entender a natureza das Ilhas das Quatro Montanhas. Eles reuniram várias evidências mostrando que as ilhas podem pertencer a uma caldeira interconectada.

Episódio catastrófico

Ao contrário dos estratovulcões, que tendem a explorar reservatórios de magma de tamanhos pequenos a modestos, uma caldeira é criada ao explorar um enorme reservatório na crosta terrestre. Quando a pressão do reservatório excede a força da crosta, quantidades gigantescas de lava e cinzas são liberadas em um catastrófico episódio de erupção.

As erupções formadoras de caldeira são as erupções vulcânicas mais explosivas da Terra e costumam ter efeitos globais. As cinzas e o gás que elas colocam na atmosfera podem afetar o clima da Terra e provocar agitação social. Por exemplo, a erupção do vulcão Okmok (também nas Aleutas), no ano 43 a.C., foi recentemente relacionada à destruição da República Romana. A caldeira proposta subjacente às Ilhas das Quatro Montanhas seria ainda maior do que a do Okmok. Se confirmada, ela se tornaria a primeira nas Aleutas a estar oculta debaixo d’água, disse Diana Roman, do Instituto Carnegie em Washington, coautora do estudo.

“Temos procurado dados sob as almofadas do sofá”, disse Roman, referindo-se à dificuldade de estudar um lugar tão remoto. “Mas tudo o que olhamos se alinha com uma caldeira nessa região.”

Riscos para aeronaves

Apesar de todos esses sinais, Roman e John Power, pesquisador do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) no Alaska Volcano Observatory e principal autor do estudo, afirmam que a existência da caldeira não está de forma alguma provada. Para fazer isso, a equipe de estudo precisará retornar às ilhas e reunir evidências mais diretas para testar totalmente sua hipótese.

“Nossa esperança é retornar às Ilhas das Quatro Montanhas e olhar mais de perto o fundo do mar, estudar as rochas vulcânicas com mais detalhes, coletar mais dados sísmicos e gravitacionais e colher amostras de muito mais áreas geotérmicas”, disse Roman.

A hipótese da caldeira também pode ajudar a explicar a atividade explosiva frequente observada no Monte Cleveland, disse Roman. O Monte Cleveland é indiscutivelmente o vulcão mais ativo da América do Norte nos últimos 20 anos. Produziu nuvens de cinzas de até 4.500 e 9.000 metros acima do nível do mar. Essas erupções representam riscos para as aeronaves que viajam nas movimentadas rotas aéreas entre a América do Norte e a Ásia.

“Isso nos ajuda potencialmente a entender o que torna Cleveland tão ativo”, disse Power, que apresentará o trabalho. “Também pode nos ajudar a entender que tipo de erupção esperar no futuro e nos preparar melhor para os perigos.”

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