Hubble mostra galáxia que tem pelo menos 12 cópias no céu

Duplicações decorrem de lentes gravitacionais formadas por um aglomerado de galáxias entre a Terra e a galáxia de fundo

Esta imagem do Hubble mostra um enorme aglomerado de galáxias, a cerca de 4,6 bilhões de anos-luz de distância. Ao longo de suas bordas, quatro arcos brilhantes são visíveis; são cópias da mesma galáxia distante, apelidada de Arco da Explosão Solar. Crédito: ESA/Hubble, Nasa,, Rivera-Thorsen et al.

Astrônomos que usam o Telescópio Espacial Hubble, da Nasa e da Agência Espacial Europeia (ESA), observaram uma galáxia distante que aparece reproduzida pelo menos 12 vezes no céu noturno. O efeito é resultado de um fenômeno denominado lente gravitacional. O artigo que descreve essas observações está na revista “Science” publicada hoje (8 de novembro).

A galáxia, apelidada de Arco da Explosão Solar (Sunburst Arc, oficialmente denominada PSZ1 G311.65-18.48), está a quase 11 bilhões de anos-luz da Terra e foi capturada em várias imagens por um aglomerado maciço de galáxias a 4,6 bilhões de anos-luz de distância.

A lente gravitacional significa que o aglomerado de galáxias em primeiro plano é tão grande que sua gravidade distorce o tecido do espaço-tempo, dobrando e ampliando a luz da galáxia mais distante atrás dele. Esse efeito “espelho do parque de diversões” não apenas estende a imagem da galáxia de fundo, mas também cria várias imagens da mesma galáxia.

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Lupas cósmicas

O fenômeno das lentes produz pelo menos 12 imagens da galáxia de fundo, distribuídas por quatro arcos principais. Três desses arcos são visíveis no canto superior direito da imagem, enquanto um arco contrário é visível no canto inferior esquerdo – parcialmente obscurecido por uma estrela brilhante em primeiro plano dentro da Via Láctea.

O Hubble usa essas lupas cósmicas para estudar objetos que, de outra forma, seriam muito fracos e pequenos demais para seus instrumentos. O Arco da Explosão Solar não é exceção, apesar de ser uma das galáxias mais brilhantes de lentes gravitacionais conhecidas.

A lente cria imagens do Arco da Explosão Solar entre 10 e 30 vezes mais brilhantes do que a aparência normal da galáxia de fundo. A ampliação permite que o Hubble visualize estruturas de 520 anos-luz de diâmetro, que seriam pequenas demais para serem vistas sem o efeito de lente. As estruturas se assemelham a regiões de formação de estrelas em galáxias próximas no universo local, permitindo que os astrônomos façam um estudo detalhado da galáxia remota e de seu ambiente.

As observações de Hubble mostram que o Arco da Explosão Solar é semelhante às galáxias que existiam muito antes na história do universo, talvez apenas 150 milhões de anos após o Big Bang.