Hubble mostra o brilho da cabeleira de uma rainha

A galáxia NGC 4455 está na única constelação moderna cujo nome faz referência a uma pessoa que realmente existiu: a rainha Berenice II do Egito

A galáxia espiral NGC 4455, na Cabeleira de Berenice: lantejoulas celestes. Crédito: ESA/Hubble & Nasa, I. Karachentsev et al.

O agrupamento de lantejoulas celestes flagrado aqui pelo Telescópio Espacial Hubble, da Nasa e da Agência Espacial Europeia (ESA), é uma galáxia espiral chamada NGC 4455, localizada na constelação de Coma Berenices (Cabeleira de Berenice), a cerca de 45 milhões de anos-luz de distância da Terra. Trata-se da única constelação moderna cujo nome homenageia uma pessoa real da história: a rainha Berenice II do Egito.

Governante da antiga cidade grega de Cirene, na Líbia moderna, e mais tarde rainha do Egito ptolomaico pelo casamento com seu primo Ptolomeu III Euergetes, Berenice II ficou conhecida por sacrificar mechas de cabelo como uma oferta para garantir a segurança do marido no retorno de uma batalha contra os assírios. De fato, seu marido voltou em segurança e seus cabelos, que ela havia deixado em um templo de Zephyrium, desapareceram.

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Enquanto não se descobria o paradeiro dos cabelos da rainha, os sacerdotes da corte iam sendo sacrificados. Quem encerrou a mortandade foi o astrônomo Conon de Samos: ele declarou que a deusa Afrodite havia aceitado o presente de Berenice, o qual passara a brilhar nos céus perto da constelação de Leão.