Humor é saúde

A ciência está avançando na investigação sobre os efeitos do riso no estado geral dos pacientes. Há mais de duas décadas, PLANETA já abordava esse caminho terapêutico que praticamente não tem efeitos colaterais indesejados

O médico americano William Fry Jr., professor associado de psiquiatria na Universidade Stanford que estudou a fisiologia do riso durante mais de 30 anos, fez várias descobertas a respeito desse elemento tão comum em nosso cotidiano. De acordo com ele, três minutos de risada por dia equivalem a dez minutos de exercícios com remo. Quando o indivíduo ri, a ventilação dos pulmões é aumentada, beneficiando o sistema cardiovascular. Depois da risada, ocorre uma redução temporária de pressão arterial, respiração, batimentos cardíacos e tensão muscular. Embora não cure, a risada deveria ser levada em consideração como uma estratégia de tratamento, devido aos efeitos benéficos que provoca no paciente.

(*) O texto aqui reproduzido foi publicado na coluna “Terapias Avançadas” da edição 262 de PLANETA, de julho de 1994.

Em um discurso pronunciado em 1979 na Associação Ortopsiquiátrica Americana, em Washington, Fry Jr. salientou a importância do humor ao considerar sua influência positiva nas três principais doenças que representam risco de vida no mundo ocidental: as moléstias cardíacas, o câncer e os acidentes vasculares cerebrais (AVCs). As descobertas a respeito do riso não significam, no entanto, que os profissionais da saúde devam se transformar em comediantes. O humor não consiste em contar piadas, mas é uma atitude, uma forma de abraçar a realidade. Os profissionais da área são encorajados a sorrir e a rir, mas não com o objetivo específico de que seus pacientes deem risadas.

Claro está que os pacientes não são os únicos a necessitar de uma dose diária de risada para continuarem em sua luta pela cura. As enfermeiras, que passam longas horas na frente de batalha, também podem se beneficiar dessa forma de terapia como mecanismo de defesa. Elas estão entre as classes de profissionais que apresentam os mais altos índices de estresse, por se sentirem impotentes diante do atropelo dos médicos, do sistema hospitalar e do próprio fato de lidarem com doentes. Procura-se nas terapias baseadas no humor, realizadas com elas por especialistas na área, que levem seu trabalho a sério, mas procurem não se levar tão a sério. Evidentemente, esse é um bom alerta para qualquer ser humano.



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