Ilha de dragões-de-komodo poderá continuar a ser visitada por turistas

Governo da Indonésia cancela proibição anunciada para 2020 por considerar que população dos animais não está ameaçada pela visitação

Dragão-de-komodo: população de animais na ilha de Komodo não foi afetada pela visitação turística. Crédito: Alibasdaysar/Wikimedia

O plano do governo da Indonésia de fechar a ilha de Komodo – lar dos famosos dragões-de-komodo – aos turistas no início de 2020 não vai mais entrar em vigor, noticiou o jornal “The Guardian”. Segundo as autoridades, os mais de 1.700 exemplares da espécie que vivem lá não estão ameaçados pelo turismo excessivo. Komodo é um patrimônio natural da Unesco.

A mudança de política veio em apenas dois meses. Em julho, dirigentes da província de East Nusa Tenggara haviam declarado que a ilha seria fechada por um ano a partir de janeiro de 2020 para impedir que os turistas interferissem no comportamento natural desses animais, a maior espécie de lagartos do planeta. Ontem (30 de setembro), porém, Siti Nurbaya Bakar, ministro do Meio Ambiente e Florestas da Indonésia, anunciou o cancelamento da mudança.

“[O número de] dragões-de-komodo na ilha de Komodo durante as observações de 2002 a 2019 tem sido relativamente estável”, disse Bakar à agência Reuters. “Não há ameaça de declínio.”

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A proibição havia sido anunciada porque um número crescente de turistas estaria afetando os hábitos de acasalamento dos animais, dando-lhes alimentos e tornando-os dóceis. Havia também preocupações sobre caçadores atacando os répteis e veados, suas principais presas.

Visões conflitantes

O cancelamento da proibição mostra visões conflitantes no governo indonésio sobre o Parque Nacional de Komodo, onde estão os animais. Em 2018, mais de 176 mil turistas visitaram a área. No mesmo ano, Viktor Bungtilu Laiskodat, governador de East Nusa Tenggara, propôs a segmentação de clientes sofisticados, criando uma taxa de inscrição de US$ 500. “Somente pessoas com bolsos fundos podem [ver dragões-de-komodo]”, disse ele na ocasião. “Quem não tem dinheiro não deve visitar o parque, pois ele atende especificamente a pessoas extraordinárias.”

Moradores da ilha protestaram em função das incertezas. Alguns temiam ser realocados para dar lugar a novas infraestruturas turísticas ou perder renda durante a proibição proposta.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente indonésio, embora a proibição tenha sido descartada, ocorrerão mudanças em Komodo. Um novo centro de pesquisa de dragões-de-komodo deverá ser aberto no parque e outros pontos turísticos da área passarão por um processo de renovação.

Calcula-se que haja cerca de 5.700 dragões-de-komodo na natureza, espalhados em Komodo, Flores e outras ilhas indonésias.