Ilhas dos Açores foram ocupadas 700 anos antes dos portugueses

Estudo de sedimentos coletados em lagos do arquipélago revela indícios de presença humana a partir de 700 d.C., possivelmente oriunda do norte da Europa

Vista das ilhas do Pico (primeiro plano) e do Faial (plano de fundo), nos Açores: ocupação mais antiga do que se pensava. Crédito: Santiago Giralt

Um grupo internacional de investigadores concluiu que o arquipélago dos Açores, a pouco menos de 1.500 quilômetros a oeste de Portugal, foi habitado cerca de 700 anos antes do que se imaginava. A conclusão se baseia na análise de núcleos de sedimentos retirados de lagos em algumas das ilhas do arquipélago. O estudo a esse respeito foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Tradicionalmente, e pela falta de indícios em sentido diverso, aceitava-se que as ilhas receberam os primeiros humanos em 1427. Foi nesse ano que o navegador português Diogo de Silves desembarcou na Ilha de Santa Maria. Expedições sucessivas de portugueses consolidaram o domínio do país sobre o arquipélago.

Os pesquisadores do estudo coletaram e estudaram amostras de sedimentos de diversos lagos açorianos. A análise de uma camada central de sedimentos datada de 700 d.C. a 850 d.C., retirada da Lagoa do Peixinho (Ilha do Pico), mostrou aumento do composto 5-beta-estigmasterol. Esse composto é normalmente encontrado nas fezes de gado, como vacas e ovelhas. Outro dado discrepante foi o aumento nas partículas de carvão, possivelmente pela ocorrência de grandes incêndios. Também se observou a queda no pólen de árvores nativas. Uma possível explicação seria a queima de vegetação nativa para a abertura de pastagens para o gado.

Lagoa do Caldeirão, um dos locais de coleta de sedimentos. Crédito: Santiago Giralt
Condições climáticas favoráveis

As mesmas características apareceram na Lagoa do Caldeirão (Ilha do Corvo), só que datadas de um século depois. No lago de uma terceira ilha, foram encontrados resíduos de azevém (uma planta forrageira) não nativo, outro indício de criação de gado.

“Embora as fontes históricas descrevam os Açores como densamente florestados e intocados, este trabalho evidencia a discrepância que existe entre os registros fósseis e os registros históricos que servem na maioria das vezes como referência para identificar ecossistemas prístinos”, afirmou Pedro Raposeiro, pesquisador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) e da Universidade dos Açores e primeiro autor do estudo.

Baseando-se em simulações para determinar as condições climáticas da época, os pesquisadores sugeriram que os primeiros colonizadores das ilhas vieram do norte da Europa. Esses exploradores encontraram na época “condições climáticas favoráveis para navegar em direção aos Açores no final da Alta Idade Média, devido à predominância dos ventos do nordeste e o enfraquecimento dos de oeste”.

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