Implante cerebral restaura percepção visual em cegos

Paciente que participou de procedimento experimental relatou que consegue separar objetos, identificar portas e corredores e atravessar a rua com mais segurança

Implante cerebral restaura percepção visual em cegos / Universidade da Califórnia/Divulgação

Um dispositivo experimental de implante cerebral desenvolvido por cientistas da Universidade da Califórnia conseguiu restaurar a percepção visual e devolver alguma independência a um paciente cego.

Há sete anos, Jason Esterhuizen, hoje com 30, sofreu um acidente de carro que destruiu seus olhos e o deixou totalmente cego.

Depois de participar do experimento com o implante, Esterhuizen afirmou que agora consegue fazer coisas que não conseguia antes. “Eu consigo separar as roupas para lavar, achar o caminho certo em corredores sem usar uma bengala e atravessar a rua com mais segurança. Está tornando minha vida muito mais fácil”, disse, em comunicado da universidade.

O dispositivo foi desenvolvido para pessoas que conseguiam enxergar normalmente, mas perderam sua visão por acidente ou doença. Apesar de não devolver uma visão completamente normal, ele melhora a habilidade dos usuários de navegar pelo mundo ao restaurar sua capacidade de detectar movimento e distinguir luz e sombra.

Segundo Nader Pouratian, neurocirurgião da UCLA e o autor principal do estudo, essa é a primeira vez que a ciência desenvolve um dispositivo completamente implantável, que as pessoas podem usar em suas casas, sem precisar plugá-lo em um aparelho externo.

“Ele ajuda o paciente a reconhecer uma porta ou onde a calçada começa ou termina. São ações extremamente significativas e que podem aumentar a qualidade de vida das pessoas”, diz.

O dispositivo converte imagens capturadas por uma pequena câmera de vídeo acoplada a um par de óculos escuros em uma série de impulsos elétricos. Esses pulsos estimulam um conjunto de 60 eletrodos implantados no topo do córtex visual do cérebro, que percebem os padrões de luz e os interpreta como pistas visuais.

Ou seja, o dispositivo não restaura a visão, mas ajuda o paciente a “ver” luzes e sombras que mostram se há alguma outra pessoa por perto ou algum obstáculo pelo caminho.

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