Imunidade à covid-19 dura ao menos 8 meses, dizem cientistas australianos

Descoberta explica o baixo número de reinfecções e significa uma esperança real para a longevidade das vacinas contra a doença

Vírus SARS-CoV-2: as células B do nosso sistema imunológico são capazes de "lembrar-se" dele e responder rapidamente a uma reexposição a ele. Crédito: Gerd Altmann/Pixabay

Pesquisadores australianos revelaram pela primeira vez que as pessoas infectadas com o vírus da covid-19 têm memória imunológica para se proteger contra a reinfecção por pelo menos oito meses. Seu estudo foi publicado na revista “Science Immunology”.

A pesquisa é a evidência mais forte da probabilidade de que as vacinas contra o vírus SARS-CoV-2 funcionem por longos períodos. Anteriormente, muitos estudos mostraram que a primeira onda de anticorpos contra o coronavírus diminui após os primeiros meses, levantando preocupações de que as pessoas possam perder imunidade rapidamente. O novo trabalho acalma essas preocupações.

O estudo é o resultado de uma colaboração liderada por Menno van Zelm, professor associado do Departamento de Imunologia e Patologia da Universidade Monash, de Melbourne, com a Alfred Research Alliance entre a Universidade Monash, o Alfred Hospital e o Burnet Institute. O artigo da “Science Immunology” revela a descoberta de que células específicas do sistema imunológico, chamadas células B de memória, “lembram-se” da infecção pelo vírus. Além disso, se desafiadas novamente, por meio da reexposição ao vírus, elas desencadeiam uma resposta imunológica por meio da rápida produção de anticorpos protetores.

Presença estável

Os pesquisadores recrutaram 25 pacientes com covid-19 e coletaram 36 amostras de sangue deles desde o dia 4 pós-infecção até o dia 242 pós-infecção.

Como em outros estudos – observando apenas a resposta do anticorpo –, eles descobriram que os anticorpos contra o vírus começaram a cair 20 dias após a infecção.

No entanto (e isso é o mais importante), todos os pacientes continuaram a ter células B de memória que reconheceram um dos dois componentes do vírus SARS-CoV-2, as proteínas spike e do nucleocapsídeo. Essas células B de memória específicas de vírus estavam presentes de forma estável até oito meses após a infecção.

Esperança real

De acordo com Van Zelm, os resultados dão esperança à eficácia de qualquer vacina contra o vírus. Eles também explicam por que houve tão poucos exemplos de reinfecção genuína entre os milhões de pessoas que testaram positivo para o vírus no mundo.

“Esses resultados são importantes porque mostram, definitivamente, que os pacientes infectados com o vírus da covid-19 de fato mantêm imunidade contra o vírus e a doença”, disse.

“Esta tem sido uma nuvem negra pairando sobre a proteção potencial que poderia ser fornecida por qualquer vacina contra a covid-19”, acrescentou Van Zelm. “Isso dá esperança real de que, uma vez que uma vacina ou vacinas sejam desenvolvidas, elas fornecerão proteção de longo prazo.”

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