Cabras são mais inteligentes do que se imaginava

Estudos mostram que as cabras têm uma memória de longo prazo excelente, conseguem aprender tarefas rapidamente e reconhecem a vocalização de seus filhotes mesmo depois de um longo período de separação

Johnny Mazzilli

As cabras não são consideradas animais especialmente inteligentes. Mas um novo estudo mostrou que a capacidade cognitiva delas é mais desenvolvida do que se imaginava.

Segundo a pesquisa, liderada pela Universidade Queen Mary, em Londres, diversos estudos indicam que os principais motivadores do desenvolvimento cognitivo nos animais são a necessidade de desenvolver habilidades sociais, como manter a coesão de um grupo e, assim, reduzir o conflito, e resolver problemas ecológicos, como procurar alimentos de maneira eficaz e memorizar as localizações de recursos.

Espécies domesticadas normalmente passaram por uma redução no tamanho de seus cérebros ao longa da evolução, já que elas vivem em ambientes com menos pressões se comparadas àquelas que vivem em ambientes selvagens.

Porém, isso não significa que espécies domesticadas não sejam inteligentes. E esse novo estudo mostrou que as cabras possuem traços associados a uma cognição avançada, como colonização de novos ambientes, no caso de grupos de animais selvagens, e organização em uma sociedade complexa.

A pesquisa submeteu as cabras a um teste de “caixa de comida”. Para acessar o alimento, os animais precisavam acionar uma alavanca, puxando uma corda com a boca. Então, elas deviam levantar a alavanca usando a boca ou o focinho. Cumprida as duas etapas, a comida era liberada.

A maioria das cabras – 9 de 12 – aprenderam a tarefa rapidamente, em 12 tentativas, em média. Depois de um intervalo de 10 meses, os animais resolveram o desafio em apenas dois minutos, indicando que elas têm uma memória de longo prazo excelente.

Em outros estudos recentes da mesma universidade, foi demonstrado que as cabras conseguem reconhecer a vocalização de seus filhos por pelo menos 13 meses depois da separação, e também conseguem se lembrar de formas visuais por 42 dias.

Nesta nova pesquisa, os cientistas demonstraram que essa ótima memória de longo prazo funciona também para novos desafios cognitivos. Afinal, encontrar novas fontes de alimento, que são efêmeras, requer habilidades cognitivas melhores do que obter comida que está disponível no mesmo local, em qualquer época, como acontece nos ambientes domésticos.

“As cabras selvagens vêm colonizando uma grande variedade de ambientes hostis em diversas localizações pelo mundo, inclusive se tornando pestes em alguns casos. As habilidades cognitivas reveladas nesta pesquisa ajudam a explicar por que esses animais são tão adaptáveis”, atesta o estudo.

A pesquisa foi publicada na revista científica “Frontiers in Zoology“.