Intervenção humana na natureza: os quebra-ventos do Japão

Concebidas no fim do século 19 para proteger a terra das intempéries do clima, faixas de florestas em forma de grade são a marca registrada de uma região leiteira na ilha de Hokkaido

Área de quebra-ventos florestais em Hokkaido em foto batida no verão (27 de setembro de 2019): proteção para animais e campos. Crédito: Nasa Earth Observatory/Lauren Dauphin, com dados do Landsat/USGS

Do alto, o planalto de Konsen, no leste de Hokkaido (a ilha mais ao norte do arquipélago japonês), oferece uma visão notável: uma grade enorme que se espalha pela paisagem rural feito um tabuleiro de xadrez. Como visto nas imagens em cores naturais mostradas aqui (no alto, de 27 de setembro de 2019; abaixo, de 27 de fevereiro de 2020), o padrão é claro o ano todo, seja no verão ou no inverno. Ambas as imagens foram adquiridas pelo Operational Land Imager (OLI) no satélite Landsat 8, da Nasa/USGS.

A mesma área vista no inverno (27 de fevereiro de 2020), coberta de neve. Crédito: Nasa Earth Observatory/Lauren Dauphin, com dados do Landsat/USGS

As faixas são quebra-ventos florestais – fileiras de árvores coníferas com 180 metros de largura que ajudam a proteger prados e animais do clima às vezes difícil de Hokkaido. Além de bloquear os ventos e dificultar a queda de neve durante os invernos frios e nebulosos de Hokkaido, eles ajudam a impedir que os ventos espalhem solo e adubo durante os meses mais quentes nessa importante região de produção leiteira do país. As faixas mais finas e menos regulares que aparecem nas fotos são áreas de floresta ao longo dos cursos d’água.

O governo japonês começou a criar os quebra-ventos nos anos 1890, como parte de um esforço para colonizar a área. Em vez de plantar faixas florestais, eles simplesmente derrubaram quadrados nas florestas de folhas largas que já estavam lá na época, deixando os quebra-ventos. Os planejadores usaram um padrão de grade inspirado no desenvolvimento da terra e práticas agrícolas populares na época em áreas pioneiras do centro-oeste e centro dos Estados Unidos.

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Com o tempo, à medida que trechos de quebra-ventos eram derrubados para extração de madeira ou por incêndios florestais, as florestas de folhas largas eram substituídas por plantações de lariço e abeto, que compõem a maior parte dos quebra-ventos atualmente.

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