Itália barra crianças não vacinadas de frequentar o ensino infantil

A desinformação e artigos desacreditados contribuíram para o medo de vacinas gerando um movimento antivacinação e surtos de doenças que já não se viam mais em várias partes do mundo

Grupos antivacinação saíram às ruas para protestar. (Crédito: Ruptly)

Uma nova lei na Itália determina que todas as crianças não vacinadas com menos de seis anos devem ser impedidas de frequentar o ensino infantil, também conhecido como “escolinha” ou “creche”. Como as crianças de 6 a 16 anos não podem ser banidas da mesma forma, os pais precisarão pagar uma multa de € 500. Para serem admitidas nas escolas públicas, serão exigidas 10 vacinas, como catapora, poliomielite, caxumba, rubéola e, claro, sarampo.

A “lei de Lorenzin”, batizada em homenagem ao ex-ministro da Saúde italiano que a introduziu, entrou em vigor na terça-feira. Ela foi aprovada depois de um surto de sarampo, ocorrido no verão europeu do ano passado. Os pais tiveram vários meses para colocar a caderneta em dia e agora o governo começou a enviar cartas de suspensão para aqueles que não apresentaram documentos comprovando a vacinação. O ano escolar começa em setembro.

O atual governo de extrema-direita da Itália, o Movimento Cinco Estrelas (M5S), questionou a segurança de algumas imunizações e até ameaçou derrubar as leis obrigatórias de vacinação que o governo anterior aprovou em 2017. Mas decidiu não seguir com o plano. Grupos antivacinação estão tomando as ruas em protesto. Já outra parte da sociedade está comemorando a decisão, que vem sendo considerada uma estratégia astuta.

A desinformação e artigos supostamente científicos que já foram desacreditados contribuíram para esse medo de vacinas gerando movimentos antivacinação que se espalharam pelo mundo e vem causando epidemias de sarampo em diversos países.

Desde que a lei foi aprovada, há dados do Ministério da Saúde italiano sugerindo que o objetivo pretendido está sendo alcançado: 94% das crianças tomaram pelo menos uma dose da vacina contra o sarampo até junho de 2018. Antes da lei, as taxas de vacinação da Itália haviam caído bem abaixo de 80% em contraste com a taxa de vacinação de 95% recomendada pela Organização Mundial de Saúde.

Um limiar de vacinação de 95% é o ponto ideal de imunidade. Isso quer dizer que a propagação de doenças é altamente improvável e aqueles que são muito jovens ou têm condições especiais de saúde que os impede de ser vacinados também estão protegidos.

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