Jeff Bezos vai dar uma volta no espaço: quem será o próximo?

Viagem do chefe da Amazon poderá inaugurar uma era de turismo espacial. Cerca de 20 companhias já investem no setor, com a Virgin Galactic, a SpaceX e a Blue Origin de Bezos liderando. Os preços são astronômicos.Pouco depois de o diretor executivo da Amazon Jeff Bezos anunciar que em 20 de julho fará um voo suborbital numa aeronave projetada por sua própria companhia aeroespacial, a Blue Origin, começaram a circular boatos de que o dono da Virgin Records, Richard Branson, pretenderia competir com uma nave de sua companhia aeroespacial, Virgin Galactic.

Essa corrida entre bilionários lança foco sobre o surto de atividade que atravessa o setor do turismo espacial, com as companhias tentando levar as viagens siderais ao cidadão comum – ou pelo menos àqueles que podem se dar esse luxo. Há anos, as companhias aeroespaciais oferecem voos, mas até o momento as missões têm sido quase inteiramente para fins científicos e de desenvolvimento.

Apenas sete indivíduos foram ao espaço por lazer: de a 2001 a 2010 a companhia Space Adventures intermediou estadas turísticas na Estação Espacial Internacional (EEI), reservando uma vaga a bordo de uma nave russa por um preço entre 20 milhões e 40 milhões de dólares.

As viagens de lazer foram suspensas após nove anos, devido à demanda crescente por equipes de pesquisa. Contudo, a indústria de turismo espacial se desenvolveu rapidamente nos últimos anos, com diversos protagonistas atuando e já em estado avançado de desenvolvimento.

Orbital, suborbital ou parabólico

Segundo uma análise da consultora do setor espacial e de satélites Northern Sky Research (NSR), o mercado de viagens e turismo espacial deverá gerar cerca de 8 bilhões de dólares entre 2020 e 2030.

O mercado pode ser segmentado nos três tipos básicos de voos oferecidos: orbital, suborbital e parabólico. No primeiro, são alcançadas velocidades suficientemente altas para permanecer em órbita ao redor da Terra. O segundo também alcança o espaço sideral, mas sem a velocidade necessária para entrar em órbita.

O voo parabólico emprega jatos comerciais modificados que realizam manobras especiais para entrar temporariamente em queda livre, assim replicando a sensação de ausência de peso experimentada no espaço sideral, mas sem chegar até ele. Das três, é a modalidade mais acessível em termos de preço e tecnologia: em 2019 houve 100 voos parabólicos, com passagens em torno de 5 mil dólares.

Hoje em dia o público quer a coisa real, então se espera que, combinados, os voos orbitais e suborbitais vão compor 98% do mercado, até 2030. Segundo a NSR, a demanda de reservas antecipadas tem sido forte, enquanto o segmento parabólico só se expande lentamente.

Os giros suborbitais levam os passageiros para além da atmosfera terrestre por alguns minutos, de onde podem ver o planeta natal e experimentar a gravidade zero, retornando após alguns minutos. As viagens à EEI, que circula em volta da Terra, são consideradas voos orbitais.

De dez a dezenas de milhões de dólares

Ao todo, o setor aeroespacial engloba cerca de 20 protagonistas, sendo os principais a Blue Origin da Amazon, a Virgin Galactic de Richard Branson e a SpaceX de Elon Musk.

Em seguida ao voo pioneiro de Bezos, a Blue Origin planeja oferecer giros suborbitais no New Shepard, um foguete tradicional que parte e pousa em posição vertical. A cápsula da tripulação, localizada no seu topo, dispõe de assentos confortáveis e janelas amplas, projetadas tendo os turistas em mente.

Depois de o diretor executivo completar sua viagem, vagas a bordo serão postas à venda. Os preços ainda não foram divulgados, mas, segundo o website da Blue Origin, o leilão em curso de um lugar no voo de Bezos está com um lance máximo de 4 milhões de dólares.

A Virgin Galactic também pretende oferecer voos suborbitais comerciais a bordo de seu avião-foguete SpaceShipTwo, a partir de 2022. Já é longa a lista de espera para os assentos a bordo. O custo final ainda não é conhecido, mas na reserva exige-se um depósito de 250 mil dólares. A meta é chegar a 1.200 voos por ano, com seis assentos cada um.

Em seu site, a companhia promete: “As economias resultantes da escala e das tecnologias concorrentes proporcionarão uma maior pressão descendente sobre o custo de lançamento, permitindo um número sempre maior de usuários, com aplicações que transformarão o mundo.”

Por sua vez, a SpaceX tem se concentrado mais em testar e desenvolver do que no marketing de suas ofertas turísticas. Ao contrário dos veículos da Blue Origin e da Virgin Galactic, sua nave Crew Dragon já alcança a órbita terrestre baixa. Graças a esse fato, a firma de Musk oferece as experiências mais especiais disponíveis no momento, apesar de os assentos serem caros.

Antes do fim de 2021, a SpaceX lançará a Inspiration4, a primeira missão em órbita “totalmente civil”. Comprado pelo bilionário Jared Issacman, que atuará como comandante, um assento no voo de quatro tripulantes será objeto de uma rifa beneficente, concorrendo qualquer um que doe mais de 10 dólares. Estão planejadas para os próximos anos pelo menos outras três missões privadas da SpaceX.

Voar, sim, mas para onde ir?

A agência corretora Axiom Space também colabora com a SpaceX, gerindo a logística da primeira missão inteiramente civil da EEI, atualmente programada para janeiro de 2022. Um astronauta veterano acompanhará três turistas numa missão de dez dias, dos quais oito na estação espacial.

A Axiom pretende oferecer alguns programas do gênero por ano, paralelamente a seu plano maior de construir módulos habitáveis conectados à EEI, no que a corretora denomina a primeira estação espacial comercial.

“Todo mundo constrói foguetes, mas ninguém está construindo destinações para onde ir”, comentou o cofundador da Axiom Kam Ghaffarian em fevereiro, à emissora CNBC. “Muitas companhias estão oferecendo giros ao espaço, mas para onde irão, especialmente quando a Estação Espacial Internacional se aposentar?”

A já veterana em turismo aeroespacial Space Adventures também formou parceria com a SpaceX para colocar turistas na primeira missão inteiramente autônoma ao espaço. A viagem, marcada para o começo de 2022, lançará quatro indivíduos em órbita terrestre alta por cinco dias, sem astronautas treinados a bordo. Num relatório, a Nasa estima que cada assento custará 55 milhões de dólares.

A gigante americana da aviação Boeing também entrou no jogo, tendo assinado um acordo com a Nasa para desenvolver a cápsula de tripulantes Boeing CST-100 Starliner. Em troca, a empresa tem permissão para vender assentos de turistas.

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