Julho superquente transforma paisagens no Hemisfério Norte

Degelo recorde na Groenlândia, extensos incêndios florestais na Rússia e temperaturas acima de 20 graus no Ártico canadense são exemplos recentíssimos da crise climática

Foto de satélite de 21 de julho mostra incêndios e fumaça sobre os céus da Sibéria. Foto: Joshua Stevens/Nasa/Suomi National Polar-orbiting Partnership

O balanço das temperaturas bem acima da média no Hemisfério Norte durante o mês de julho é assustador, consideram especialistas em matéria publicada pelo jornal “The Guardian”. Alguns dos destaques do período estão a seguir (e vale lembrar que o verão só acaba em setembro na parte de cima do globo:

Groenlândia – O segundo maior manto de gelo do mundo (atrás apenas do da Antártida), localizado na ilha, deve ter encolhido mais em julho do que na média de um ano inteiro entre 2002 e agora, de acordo com estimativas provisórias baseadas em dados de satélite. Ruth Mottram, do Instituto Meteorológico da Dinamarca, afirma que houve no mês uma redução de 197 gigatoneladas (equivalente a cerca de 80 milhões de piscinas olímpicas) no gelo de superfície. É provável que um terço adicional desse montante tenha sido perdido de geleiras e icebergs.

Os dados colhidos mostram que 2019 já é um dos 10 principais anos para a perda de gelo na Groenlândia. Nesta semana, as temperaturas locais estiveram pelo menos 10 °C acima do normal. Mesmo no topo do manto de gelo, 3.200 metros acima do nível do mar, registraram-se 10 horas de temperaturas acima de 0 °C, algo muito raro, disse Luke Trusel, professor assistente de geografia da Universidade Estadual da Pensilvânia (Penn State).

 

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“O que era altamente incomum no passado recente está se tornando o novo normal. O Ártico é muito mais sensível ao aquecimento agora do que há algumas décadas”, sintetiza Trusel.

Rússia – Os extensos incêndios florestais levaram o governo russo a (tardiamente) declarar estado de emergência em quatro regiões da Sibéria. A área atingida tem cerca de 2/3 do tamanho do estado do Rio de Janeiro.

Noruega – No último fim de semana de julho, o país registrou a temperatura mais alta desde o início das medições. Mais de 20 áreas no norte do país experimentaram recentemente noites com temperaturas acima de 20 °C desde o anoitecer até o amanhecer.

Canadá – A região ártica do país teve um número recorde de incêndios em julho, e o permafrost (solo permanentemente congelado) está derretendo décadas antes do previsto. Dados indicam que o território está se aquecendo em velocidade duas vezes maior do que a média global. No mês passado, registrou-se 21 °C na comunidade de Alert, a 82° 28’ de latitude norte – uma temperatura inédita perto do polo, segundo um meteorologista local.

Alpes – Autoridades alertaram que as encostas abaixo do pico de 4.478 metros do Matterhorn, entre a Suíça e a Itália, estão mais propensas a avalanches e deslizamentos de terra. Na região do Monte Branco, entre a França e a Itália, foi observada a formação de lagos a grande altitude com água de degelo.

As geleiras suíças perderam 800 milhões de toneladas de neve e gelo com as duas mais recentes ondas de calor, de acordo com o glaciologista Matthias Huss. Regiões do país estão recorrendo a mantas de lã gigantes na tentativa de isolar o gelo do ar quente.