Lagos do hemisfério norte deverão perder capa de gelo no inverno até 2100

Fenômeno realimenta o aquecimento global e favorece a proliferação de algas tóxicas, contaminando a água

Lago de Constança, na Alemanha, um dos que podem tornar-se permanentemente degelados. Crédito: Wikimedia Commons

Cerca de 5.700 lagos do hemisfério norte deverão perder sua cobertura de gelo durante o inverno até o fim do século se as taxas de emissão global de gases do efeito estufa não começarem a cair ainda nesta década. A previsão é da equipe da pesquisadora Sapna Sharma, da Universidade de York, no Canadá, que avaliou a situação de 1,35 milhão de lagos, a partir de projeções das temperaturas de inverno ao longo das próximas décadas realizadas com base em diferentes cenários de alterações no clima (“Geophysical Research Letters”, 6 de dezembro).

Os pesquisadores concluíram que os lagos mais vulneráveis a perder completamente a cobertura de gelo são aqueles mais ao sul do hemisfério norte e os próximos às regiões costeiras. Cento e setenta e nove lagos devem se tornar permanentemente degelados até 2030, e dois dos Grandes Lagos da América do Norte – o Michigan, nos Estados Unidos, e o Superior, na fronteira norte-americana com a canadense – podem ficar sem gelo até 2055, caso nada seja feito, ou até 2085, se houver reduções moderadas nas emissões.

A cobertura de gelo no inverno é importante para garantir a quantidade e a qualidade de água doce disponibilizada por esses lagos, explicou Sharma. Calotas de gelo reduzem a evaporação da água.

A falta de gelo no inverno  eleva a temperatura no verão seguinte, realimentando o aquecimento global. O aumento da temperatura e a ausência de gelo podem provocar a proliferação de algas tóxicas e contaminar a água.

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