Laje francesa de 4 mil anos é o mapa mais antigo da Europa

Peça do início da Idade do Bronze aparentemente representa uma área do oeste da França que seria propriedade de um príncipe

Laje de Saint-Bélec: muitos mistérios ainda por revelar. Crédito: Denis Gliksman/Inrap

Pesquisadores franceses anunciaram que uma placa de pedra do início da Idade do Bronze é o mapa tridimensional mais antigo da Europa. O estudo sobre a descoberta foi publicado na revista “Bulletin de la Société préhistorique française”.

A rocha, conhecida como laje de Saint-Bélec, tem cerca de 4 mil anos de idade, mede 2,2 metros por 1,5 metro e pesa uma tonelada. Ela foi descoberta em 1900 pelo arqueólogo Paul du Chatellier em um velho cemitério em Finistère (Bretanha). Chatellier a guardou por décadas em uma de suas propriedades, e depois ela foi transferida para o Museu de Arqueologia Nacional em Saint Germain en Laye, a oeste de Paris. Em 2014, a placa foi “redescoberta” pelos pesquisadores Yvan Pailler e Clément Nicolas, que tomaram conhecimento dela por meio de um velho artigo impresso.

Pesquisadores digitalizam a laje em 2017. Crédito: P. Stéphan/CNRS
Representação de terras

Pailler e Nicolas analisaram as marcações e gravações na laje e concluíram que deve se tratar de um mapa. Eles observaram que algumas das marcações são repetidas e ligadas entre si por linhas para criar uma rede e várias são gravadas mais profundamente, como se para destacar e marcar sua importância. A seguir, eles “georreferenciaram” as gravações para ver se correspondiam à área próxima de onde foi desenterrado pela primeira vez. Descobriram que elas correspondem a uma zona de aproximadamente 30 km de extensão seguindo o curso do rio Odet, da região das Montanhas Negras, no oeste da França. Poderia ser a representação das terras de posse de um príncipe ou rei, segundo os pesquisadores.

A laje de Saint-Bélec ainda reserva diversos enigmas. Por que, por exemplo, ela estava em um cemitério? E o que significam exatamente os símbolos desenhados? De acordo com uma das hipóteses, a sepultura em questão seria do último membro de uma linhagem de soberanos do território representado, ou então do próprio autor da obra.

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