Lixo eletrônico da Europa contamina ovos em Gana

Relatório mostra que ovos de galinha em uma favela de Acra contêm níveis perigosos de substâncias nocivas liberadas por lixo eletrônico vindos de países da Europa

File source: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Accra_Citystreet.jpg

Alguns dos produtos químicos mais perigosos da Terra estão entrando na cadeia alimentar em Gana a partir de lixo eletrônico descartado ilegalmente vindo da Europa. É o que mostrou uma reportagem no jornal britânico “The Guardian

De acordo com um novo relatório de dois grupos ambientais que monitoram o descarte de lixo eletrônico, ovos de galinha da favela Agbogbloshie na capital do Gana, Acra, contêm níveis perigosos de dioxinas e bifenilas policloradas (PCBs), entre outras substâncias nocivas. Nessa localidade, com cerca de 80 mil moradores, as pessoas subsistem principalmente recuperando e vendendo cabos de cobre e outros metais retirados de de lixo eletrônico.

Pesquisadores dos dois grupos, Ipen e Basel Action Network, analisaram os ovos postos pelas galinhas caipiras de Agbogbloshie, e descobriram que, se um adulto comer apenas um ovo contaminado, já ultrapassaria em 220 vezes os limites indicados pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos sobre dioxinas cloradas.

Outros produtos químicos tóxicos foram encontrados em concentrações preocupantes, incluindo PCBs e compostos retardadores de fogo. As dioxinas, em particular, são altamente prejudiciais, mesmo em pequenas concentrações.

O relatório ressaltou os problemas na regulamentação da transferência de resíduos tóxicos da Europa para os países africanos, incluindo Gana, Tanzânia e Nigéria. O documento pede por uma regulamentação mais severa sobre resíduos perigosos, para impedir que os países sem a infra-estrutura para descartá-los com segurança.

Para Sam Adu-Kumi, da Agência de Proteção Ambiental de Gana, a Europa precisa lidar com seu lixo eletrônico tóxico, em vez de encaminhá-lo para países em desenvolvimento, onde produtos químicos perigosos contaminam populações vulneráveis e o meio ambiente, como resultado de manuseio incorreto e práticas de descarte indiscriminadas.

Adu-Kumi disse ao “The Guardian” que os países africanos não devem mais ser usados ​​como depósito de lixo eletrônico.

Jindrich Petrlik, principal autor do relatório afirmou que as dioxinas são extremamente tóxicas mesmo em quantidades muito pequenas. Mas a amostragem da pesquisa revelou níveis medidos em quantidades muito altas.

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