Lua de Júpiter pode brilhar mesmo no escuro

Interação da superfície gelada de Europa com a intensa radiação de Júpiter simulada em laboratório resulta na emissão de luz esverdeada

Concepção artística da Europa Clipper sobrevoando Europa: ocasião para investigar a afirmação dos autores do estudo. Crédito: Kevin Gill/Flickr

O lado escuro de Europa, uma das quatro maiores luas de Júpiter, pode brilhar visivelmente, de acordo com simulações de laboratório publicadas na revista “Nature Astronomy”. A missão Europa Clipper da Nasa, cujo lançamento está previsto para meados da década de 2020, poderia observar esse fenômeno, de acordo com os cálculos apresentados no estudo.

Europa provavelmente abriga um oceano subterrâneo coberto por uma espessa crosta gelada, composta predominantemente de gelo de água. A superfície externa da lua está sujeita a um alto nível de radiação de Júpiter.

O físico Murthy Gudipati, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL-Nasa) e do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), e seus colegas simularam a interação dessa radiação com a superfície de Europa, expondo gelo salgado a elétrons energéticos em laboratório. Eles descobriram que o gelo irradiado emite luz esverdeada em um processo chamado luminescência estimulada por elétrons. A intensidade da emissão depende da composição específica dos gelos.

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Missão exploratória

“Essas partículas de alta energia carregadas, incluindo elétrons, interagem com a superfície rica em gelo e sal. Isso resulta em processos físicos e químicos”, explicam os autores no estudo.

“Se Europa não tivesse essa radiação, ela seria parecida com a nossa Lua — escura no lado que fica na sombra”, observa Gudipati, líder da pesquisa.

Segundo os autores do estudo, um sobrevoo de baixa altitude da espaçonave Europa Clipper poderia determinar e mapear a composição química da superfície noturna de Europa. Essa missão mediria quanto brilho de gelo é visto em diferentes regiões de comprimento de onda. Tais observações também poderiam permitir a caracterização do oceano subsuperficial – avaliando, por exemplo, sua salinidade.

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