Lua é mais velha do que se pensava, revelam rochas da missão Apollo

Estudo com amostras colhidas pela Apollo 12 evidencia que a Lua surgiu 100 milhões de anos antes da data aceita anteriormente

A Lua vista da Apollo 11: 100 milhões de anos mais velha do que se imaginava. Foto: Nasa

Um estudo alemão publicado na revista “Nature Geoscience” e abordado no site Space.com revela que a Lua provavelmente se formou cerca de 50 milhões de anos depois do Sistema Solar, 100 milhões de anos antes da data anteriormente aceita.

O Sistema Solar surgiu há cerca de 4,56 bilhões de anos, a partir de uma nuvem de gás e poeira. Milhões de anos depois, um objeto do tamanho de Marte chocou-se com a Terra, partiu-se em pedaços e arrancou uma grande parte do nosso planeta. Essa colisão deu origem a uma enorme nuvem de detritos ao redor da Terra que, com o passar do tempo, agrupou-se para formar a Lua.

A revisão da idade lunar para 4,51 bilhões de anos foi feita depois que os cientistas reanalisaram amostras trazidas pelos astronautas das missões Apollo. Uma delas, coletada durante a missão Apollo 12, tem predominância de basalto de ilmenita e também inclui vidro criado por um impacto.

 

LEIA TAMBÉM: Massa misteriosa é encontrada sob cratera no lado oculto da Lua

 

Os pesquisadores concentraram-se no oceano de magma que cobria a Lua logo após o satélite se formar. Com o tempo, esse oceano se resfriou nas regiões de basalto mais escuras ainda visíveis na Lua hoje. Foram analisadas as características de três elementos raros presentes nesse material: háfnio, urânio e tungstênio.

 

Relógio cósmico

Como são radiativos e decaem em outros elementos a uma taxa previsível, esses elementos servem como um tipo de relógio cósmico. Os cientistas podem basear as análises em quanto tempo leva para metade de uma amostra de um elemento radiativo decair, a meia-vida do elemento, e calcular a idade das rochas.

“Ao comparar as quantidades relativas de diferentes elementos nas rochas que se formaram em diferentes épocas, é possível aprender como cada amostra está relacionada ao interior lunar e à solidificação do magma do oceano”, disse em um comunicado Raúl Fonseca, geoquímico da Universidade de Colônia (Alemanha) e coautor do estudo.

Segundo o comunicado da universidade, um isótopo lunar de háfnio-182 decaiu com o tempo para produzir um isótopo de tungstênio-182. Essa decadência foi particularmente rápida, pois ocorreu apenas nos primeiros 70 milhões de anos do Sistema Solar. Novos estudos das rochas Apollo, associados a experimentos mais recentes de laboratório, sugerem que a Lua começou a se solidificar apenas 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar.

“Essa informação sobre a idade significa que qualquer impacto gigantesco deve ter ocorrido antes dessa época”, disse o autor sênior Carsten Münker, professor de geoquímica e cosmociência da Universidade de Colônia.