Mais água com menos garrafas

Um projeto italiano oferece água mineral de graça, ou a preços simbólicos, em mais de 200 postos espalhados pelo país – uma ideia que representa economia para o bolso dos cidadãos e menor consumo de materiais como o plástico usado nas garrafas

Postos instalados em Roma

Algumas iniciativas mundiais sinalizam a preocupação em buscar alternativas de uso dos recursos naturais e, simultaneamente, reduzir o uso de materiais que degradem o planeta, como embalagens plásticas. A Itália tem um bom exemplo nessa área: lá funcionam, há pelo menos cinco anos, as Casas da Água – postos de fornecimento de água mineral, com autoatendimento 24 horas, distribuídos por todo o país, inclusive nas maiores cidades, como Roma e Milão.

Udine: água mineral acessível a todos
Udine: água mineral acessível a todos

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O sistema conduz a água mineral dos aquedutos até vários pontos das cidades. O usuário – que leva suas próprias garrafas aos postos – abastece os vasilhames gratuitamente ou paga preços simbólicos (em geral, 2 centavos de euro pelo litro de água natural e 5 centavos de euro pelo litro de água gaseificada), dependendo da cidade. Há mais de 200 Casas de Água no país.

A economia e a praticidade das Casas da Água são reconhecidas por muitos italianos. Paulo Cassiotti abastece gratuitamente suas oito garrafas de 1,5 litro na Praça Ostiense, zona sul de Roma, todas as semanas: “Estou desempregado, então, para mim, representa uma economia no final do mês”, explica. Já Mirella Rossini faz parada obrigatória por ali todos os dias, antes de começar seu expediente: “Está no caminho do meu trabalho. Então é mais conveniente encher minha garrafa aqui do que comprar em um bar. A água é fresca, limpa e gratuita”, avalia.

À primeira vista, a ideia seria bem-vinda em nosso país. Alessandra Vargas, que mora na Zona Oeste de São Paulo, aprecia a proposta como alternativa – embora confesse que não trocaria seu filtro­ atual pela água mineral fornecida pelos postos: “Uma vez ou outra, podia experimentar. Mas, na correria do dia a dia, acho que não conseguiria ir buscar a água”, admite.

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Já Sheila Ribeiro, habitante do bairro da Mooca, na Zona Leste da capital paulista, demonstra mais entusiasmo com a perspectiva de passar pela experiência. “Eu testaria, claro. Acho que, só pelo esforço ambiental, já é válido”, ressalta. “Acredito que ideias novas para melhorar o mundo sempre valem a pena.” M

 

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