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Arqueologia16/12/2021

Mais de 100 espécies subaquáticas vivem em naufrágio de 2.200 anos

O aríete do navio, encontrado no mar perto da Sicília, a uma profundidade de quase 90 metros, coberto de vida marinha. Crédito: K. Egorov/Società per la Documentazione dei Siti Sommersi – Exploradores Submarinos Globais (SDSS-GUE)

16/12/21 - 12h50min

Em 10 de março de 241 a.C., uma batalha naval ocorreu perto das Ilhas Égadas, no noroeste da Sicília. Uma frota equipada pela República Romana destruiu uma frota de Cartago, encerrando a Primeira Guerra Púnica em favor de Roma. Cientistas mostraram agora que essa destruição e carnificina tornaram possível um rico florescimento da vida marinha. Em um estudo publicado na revista Frontiers in Marine Science, eles relataram ter encontrado nada menos que 114 espécies de animais, coexistindo em uma comunidade complexa, no rostro (aríete) de um navio de uma galera cartaginesa afundada na batalha.

Este é o primeiro estudo da vida marinha em um naufrágio muito antigo. O aríete não é apenas um achado arqueológico de valor inestimável, mas também uma janela única para os processos pelos quais os animais marinhos colonizam locais vazios e gradualmente formam comunidades diversas, estáveis ​​e maduras.

“Os naufrágios são frequentemente estudados para acompanhar a colonização por organismos marinhos, mas poucos estudos se concentraram em navios que naufragaram há mais de um século”, disse a última autora, drª Sandra Ricci, pesquisadora sênior do Instituto Central para o Restauro (ICR), de Roma, na Itália.

“Aqui, estudamos pela primeira vez a colonização de um naufrágio ao longo de um período de mais de 2 mil anos”, prosseguiu ela. “Mostramos que o aríete acabou hospedando uma comunidade muito semelhante ao habitat circundante, devido à ‘conectividade ecológica’ – a livre movimento das espécies – entre ele e o entorno.”

Maravilha arqueológica

O aríete, apelidado de Egadi 13, foi recuperado em 2017 do fundo do mar a cerca de 90 metros de profundidade por arqueólogos marinhos da Superintendência do Mar da Região Sicília, dirigidos pelo dr. Sebastiano Tusa, em colaboração com mergulhadores da organização Global Underwater Explorers. Consiste em uma única peça oca de bronze, gravada com uma inscrição púnica indecifrada. Tem cerca de 90 centímetros de comprimento, 5 centímetros de espessura na borda frontal e pesa 170 quilos. Como o aríete é oco, ele acumulou organismos e sedimentos internos e externos.

Em 2019, ele foi limpo e restaurado por cientistas de materiais do ICR. Como parte da restauração, todos os animais marinhos foram coletados junto com materiais biológicos endurecidos e blocos de sedimentos de dentro e de fora do aríete. Essas amostras foram estudadas por Ricci e colegas do ICR, da Universidade de Roma Tor Vergata, do Consórcio Nacional Interuniversitário para Ciências Marinhas da Itália (CoNISMa), do Conselho Nacional de Pesquisa e da Universidade Sapienza de Roma.

Os “construtores”

O objetivo dos cientistas era comparar as espécies associadas ao rostro com aquelas encontradas em habitats naturais do Mediterrâneo e, assim, reconstruir como ele foi colonizado – principalmente por larvas dispersas – a partir desses habitats. Outro foco era entender os mecanismos pelos quais espécies já estabelecidas no rostro podem permitir que outras espécies prosperem.

Ricci e colegas encontraram uma comunidade rica em espécies, estrutural e espacialmente complexa, com 114 espécies de invertebrados vivos. Estes incluíram 33 espécies de gastrópodes, 25 espécies de bivalves, 33 espécies de vermes poliquetas e 23 espécies de briozoários. Esta assembleia de espécies foi estatisticamente mais semelhante àquelas encontradas em leitos de detritos de águas rasas e prados de ervas marinhas, e em fundos marinhos rochosos bem iluminados e recifes coralígenos, que são construídos em substratos duros em luz fraca por algas com esqueletos calcários.

“Deduzimos que os principais ‘construtores’ nessa comunidade são organismos como poliquetas, briozoários e algumas espécies de bivalves. Seus tubos, válvulas e colônias se prendem diretamente à superfície do naufrágio”, disse o coautor, dr. Edoardo Casoli, da Universidade Sapienza de Roma.

Novo tipo de ferramenta

“Outras espécies, principalmente os briozoários, atuam como ‘aglutinantes’: suas colônias formam pontes entre as estruturas calcárias produzidas pelos construtores”, prosseguiu ele. “Depois, há os ‘moradores’, que não estão presos, mas se movem livremente entre as cavidades da superestrutura. O que ainda não sabemos exatamente é a ordem em que esses organismos colonizam os destroços.”

A autora correspondente, drª Maria Flavia Gravina, concluiu: “Naufrágios mais jovens normalmente hospedam uma comunidade menos diversa do que seu ambiente, principalmente com espécies com um estágio larval longo que pode se dispersar muito. Em comparação, nosso aríete é muito mais representativo do habitat natural: hospedou uma comunidade diversa, incluindo espécies com estágios larvais longos e curtos, com reprodução sexuada e assexuada, e com adultos sésseis [imóveis] e móveis, que vivem em colônias ou solitários. Assim, mostramos que naufrágios muito antigos, como o nosso aríete, podem funcionar como um novo tipo de ferramenta de amostragem para os cientistas, que efetivamente atuam como uma ‘memória ecológica’ da colonização.”

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