Manto de neve

Há razões para suspeitar que o aquecimento global esteja por trás da grande nevasca que castigou o leste dos Estados Unidos em janeiro

Pilhas de neve em frente à Casa Branca, já revolvidas pelas equipes de limpeza de Washington que entraram em ação após a nevasca de janeiro. Para os especialistas, a explicação para a força desse evento pode estar na combinação do El Niño com o aquecimento global

Não foi a maior nevasca nos registros da costa leste dos Estados Unidos, mas ficou perto. A grande tempestade Jonas, formada nas planícies centrais do país e que avançou no sentido leste-nordeste de 22 a 24 de janeiro, chegando ao estado de Massachusetts, deixou um rastro de destruição. Pelo menos 37 pessoas morreram, por causa de acidentes de carro, hipotermia, inalação de monóxido de carbono ou esforço excessivo ao remover a neve.

Mais de 13 mil voos foram cancelados e no mínimo 250 mil pessoas ficaram sem energia elétrica. Além disso, a combinação de ventos fortíssimos e marés muito altas produziu ondas que castigaram o litoral dos estados de Delaware e Nova Jersey, e sinais de erosão costeira foram notados até em Massachusetts. A tormenta pode ter causado prejuí­zos de mais de US$ 1 bilhão.

Mais de 30 milhões de pessoas moram em áreas que tiveram acúmulo de pelo menos 50 centímetros de neve. O recorde de precipitação ficou com Glengarry, na Virgínia Ocidental: 107 centímetros. O Central Park,­ atração turística de Nova York, recebeu 68,2 centímetros, o terceiro maior acúmulo já registrado, bem próximo do recorde, de 68,5 cm, ocorrido em 2006. O estudo da tempestade mal começou, mas, de acordo com a Nasa, os cientistas já suspeitam que o aquecimento global teve papel importante no episódio.

As temperaturas extraordinariamente altas do Atlântico Norte durante este inverno favoreceram um grande acúmulo de umidade, que foi atraído pelo sistema formador do Jonas. Como as massas de ar mais quentes podem levar mais água para se precipitar como chuva ou neve, aumenta a possibilidade da ocorrência de nevascas intensas como a de janeiro, embora nas últimas décadas a precipitação anual de neve esteja diminuindo.

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