Mel néctar dos deuses produzido por insetos

Não é de hoje que a humanidade descobriu o poder do mel e suas propriedades terapêuticas.

Ele foi como a energia elétrica para a Antigüidade. Nas casas e ruas, velas e tochas feitas com a cera das abelhas podiam ficar acesas durante horas. Também era um conservante de uso geral: servia para manter os alimentos, a pele e os mortos embalsamados em bom estado. Na medicina da época, era um remédio poderoso: como antiinflamatório e cicatrizante de ferimentos, para curar queimaduras e uma série de doenças, de gripes a fraqueza. Era ainda alimento, adoçante e ingrediente indispensável em doces e salgados.

Então, subitamente, no final da Idade Média, o mel desapareceu do uso humano. Começava a era do açúcar de beterraba e, depois, da cana-de-açúcar. Embora a sua propriedade de adoçante fosse apenas uma entre tantas outras, o mel caiu no esquecimento também como remédio e alimento.

O século 21 o está reabilitando em escala mundial. Estados Unidos e Europa são grandes importadores do mel de países como China (primeiro produtor do mundo) e Brasil (quinto maior exportador para os EUA). Nos últimos dois anos, nossas exportações quadruplicaram, apesar dos embargos impostos pela União Européia. Vendemos o quilo a US$ 1,74. A cera e a própolis, em torno de US$ 100 o quilo. O equivalente em barril de petróleo valeria US$ 16 mil, um preço fantástico comparado ao do ouro negro.

E os usos do mel nestes tempos são os mesmos da Antigüidade, com exceção do embalsamamento de cadáveres. Duas colheres de sopa por dia servem para fixar o cálcio no organismo – por esse motivo ele era utilizado como fortificante pelos antigos. Uma gota de geléia real ao dia estimula o tônus sexual. Gotas de própolis aplicadas externamente fazem desaparecer rugas e cicatrizes.

Uma colméia de abelhas, com 50 mil indivíduos, é tão asséptica quanto uma sala de cirurgia, apesar da temperatura constante de 37º C no seu interior. Isso se deve à própolis, resina que as abelhas colhem de brotos de plantas e botões de flores. Elas a utilizam para dar rigidez à estrutura da colméia e vedar fendas. Como a resina é antibiótica, nenhum germe se propaga na colméia.

Em 2005, pesquisadores da Universidade de Zagreb, na Croácia, descobriram que a própolis é capaz de reduzir tumores cancerígenos. Inoculada em células cancerosas de ratos de laboratório, a substância reduziu de 62 para 15 as metástases, quase o dobro do obtido pela quimioterapia convencional – de 62 para 28. Os pesquisadores decidiram então combinar a própolis com quimioterapia, e conseguiram reduzir as metástases para apenas quatro! Estudos em células humanas já estão em curso.

SABE-SE QUE a própolis possui mais de 300 substâncias ativas, entre elas flavonóides, polifenóis e antioxidantes. No ano passado, cientistas da Universidade de Bochum, na Alemanha, anunciaram que a molécula CLU502 destruiu in vitro as células de um neuroblastoma, tipo de câncer cerebral que ocorre sobretudo em crianças. Células sadias não foram danificadas. A pesquisa continua.

Onde existem abelhas e colméias é porque o equilíbrio ambiental está mantido. Elas são suas sentinelas. Estudos feitos na França estimaram que 74% das colméias existentes no país foram abandonadas pelas abelhas em 2006, por motivos diversos: falta de espécies arbóreas que as atraíssem, parasitas, excesso de pesticidas nas plantações e, talvez, ondas eletromagnéticas emitidas pelos telefones celulares. Essa forma de radiação estaria interferindo nos sistemas de vôo das operárias. Em conseqüência, não acham mais o caminho de casa e morrem de fome.

Depois de recolher o pólen das flores, as operárias depositam fermentos lácteos sobre os grãozinhos, como se faz para preparar a massa do pão. O resultado é mais que um pão: cada 100 gramas de massa de pólen têm a proteína de sete ovos ou de um bife de 400 gramas de carne de boi.

O pólen é um estimulante do sistema imunológico, por conter vitaminas B, C e E, oito aminoácidos essenciais e o selênio, antioxidante raro na nossa alimentação. Contém ainda carotenóides com propriedades antiinflamatórias. Examinada em laboratório, verificou-se que a massa de pólen tem entre 1 milhão e 10 milhões de unidades de fermento lácteo por grama, o que a torna um probiótico igual aos iogurtes. Ótimo para a digestão e a flora intestinal.

Pesquisadores de Toulouse, na França, provocaram uma inflamação no cólon intestinal de ratos de laboratório; um grupo recebeu a massa de pólen de abelhas e o outro foi alimentado sem ela. O primeiro grupo teve 30% menos lesões que o segundo.

Detalhe de um favo de mel. O produto natural é usado como remédio e alimento desde a Antigüidade.

PRODUZIDA POR operárias jovens nas glândulas da cabeça, a geléia real é uma poção quase mágica. À medida que a fabricam, as operárias a depositam sobre uma larva de abelha até seu completo desenvolvimento. Nasce então uma abelha rainha. Em outras larvas, o processo é interrompido e ela será uma abelha operária.

O efeito antifadiga foi demonstrado em 2001 por pesquisadores do laboratório japonês Pola, ao escalarem dois grupos de ratos de laboratório para provas de natação. Deveriam nadar até cansar. O que foi alimentado com geléia real sempre nadava mais tempo que o outro.

A geléia real é composta principalmente de proteínas e aminoácidos (50%), antioxidantes e lipídios (cerca de 5%). Seus ácidos graxos estimulam o sistema imunológico. Pesquisadores franceses, em parceria com o Instituto Max Planck, de Munique, na Alemanha, descobriram que ela age sobre vários tipos de vírus, entre os quais os da herpes, hepatite B e influenza. No Japão, o Instituto Fujisaki descobriu que a vida média de ratinhos de laboratório alimentados com geléia real é maior que a dos que não a receberam, graças à sua ação antioxidante, que retarda o envelhecimento celular.

Na Ásia, a apipuntura, irmã da acupuntura, é tão popular quanto esta. A prática tem 2 mil anos e consiste em picar determinados pontos com o ferrão de abelhas presas cuidadosamente por pinças. Após algumas sessões, cada uma com 20 picadas, a dor desaparece. Quem se habilita? A explicação: o veneno contém proteínas, enzimas, ácidos e peptídeos que agem sobre o sistema nervoso. Mas há risco de choque anafilático, uma reação alérgica potencialmente fatal.

Na Coréia do Sul, em 2007, um grupo de cientistas anunciou que o veneno de abelhas tem um importante potencial no tratamento de doenças neurodegenerativas. No Egito, sua ação está sendo pesquisada para o tratamento da psoríase, uma doença da pele. Os resultados são bons e os efeitos secundários, mínimos e toleráveis, segundo os responsáveis pelos estudos.

O mel é tradicionalmente utilizado como sedativo para a dor de garganta. Mas pouca pessoas sabem que é também um excelente laxativo e um aliado nos tratamentos para emagrecer. Cem gramas de mel geram 300 calorias, contra 400 do açúcar. Além disso, é um potente bactericida. Ele vem do néctar colhido das flores pelas operárias, que o transportam no esôfago. Hospitais do Reino Unido e da França utilizamno para a cicatrização de feridas e cortes cirúrgicos.

O PROCESSO É DESCRITO cientificamente. O açúcar expulsa para a superfície os líquidos que congestionam os vasos sangüíneos e uma enzima do mel, a glucose oxidase, transforma esse açúcar em peróxido de hidrogênio – a água oxigenada – e ácido glucônico, criando um meio desfavorável à proliferação de germes, mas propício ao crescimento de células de cicatrização. Em 98% dos casos as feridas se fecham em três ou quatro semanas. Ao contrário dos antibióticos químicos, o mel não causa resistência bacteriana.

Em tempo: o mel utilizado para esse fim não pode ser exposto à luz ou calor. O de casa, portanto, não serve. A procedência também conta muito. Pesquisadores da Nova Zelândia, em conjunto com a Universidade de Bonn, na Alemanha, estão testando a eficácia do mel de manuka, arbusto de cujas flores as abelhas produzem um mel que seria cem vezes mais ativo do que qualquer outro.

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