Memória saudável está relacionada a aprender novas atividades

Pesquisadores revelam que adultos com memória saudável eram mais propensos a serem mais estudados e a se envolverem em mais atividades sociais

Graças aos avanços na medicina, os seres humanos estão mais propensos a atingirem uma idade avançada. Se a melhora na expectativa de vida mantiver o mesmo ritmo, a maioria das pessoas nascidas em países desenvolvidos no século 21 vai comemorar seu 100º aniversário até o século 22.

Mas será que vamos conseguir nos manter produtivos, ativos, saudáveis e intelectualmente aptos?

Neurocientistas da Universidade de Alberta identificaram diferentes fatores para manter a memória saudável e evitar seu declínio em pessoas com mais de 55 anos. Os resultados mostram como esforços direcionados e intervenção precoce podem ajudar a prevenir a doença de Alzheimer. O declínio da memória é um dos primeiros sinais de doenças cognitivas e neurodegenerativas, como o Alzheimer. O estudo foi publicado no “Journal of Alzheimer’s Disease”.

Peggy McFall, principal autora e pesquisadora associada do Departamento de Psicologia da universidade, disse que foram encontrados diferentes fatores de risco para a memória estável e para o rápido declínio da memória.

O estudo constatou que os adultos com memória saudável eram mais propensos a serem do sexo feminino, mais educados e a se envolverem mais em atividades sociais, como receber amigos para um jantar, e também a desenvolver novas atividades cognitivas, como aprender a usar um computador ou treinar um segundo idioma.

Para adultos com idade entre 55 e 75 anos, a memória saudável estava associada a menor frequência cardíaca, maior índice de massa corporal, mais atividades de autocuidado e companheiros vivos. Adultos com mais de 75 anos tinham marcha de caminhada mais rápida e menos sintomas depressivos.

Já aqueles com memória em declínio tendem a se envolver em menos novas atividades cognitivas. Os adultos com idade entre 55 e 75 anos e que já mostravam algum declínio na memória apresentaram frequências cardíacas mais altas e realizavam menos atividades de autocuidado, enquanto os adultos com mais de 75 anos apresentavam marcha de caminhada mais lenta e participavam de menos atividades sociais.

De acordo com a pesquisadora Peggy McFall, esses fatores modificáveis de risco e proteção podem ser convertidos em alvos de intervenção. com o objetivo duplo de promover o envelhecimento saudável da memória ou prevenir ou retardar o declínio acelerado, o comprometimento e talvez a demência. Por exemplo, os médicos intervir para aumentar as novas atividades cognitivas entre os homens ou melhorar a mobilidade para aqueles com mais de 75 anos.

Memória revertida
Enquanto isso, outras duas pesquisas mostraram que é possível reverter pelo menos uma parcela de declínio de memória em idosos.

Os estudos foram publicados na segunda-feira (8) na revista científica “Nature Neuroscience” e ambos trabalharam com a memória de trabalho, aquela que está associada às lembranças temporárias, que ainda não foram armazenadas na memória de longo prazo. Como, por exemplo, quando decoramos um número de telefone para o utilizarmos imediatamente. Essa capacidade de armazenamento de memória diminui com a idade e é considerada um componente central dos déficits cognitivos associados ao envelhecimento.

Em uma das pesquisas, da Universidade de Boston, os cientistas usaram um método chamado estimulação elétrica transcraniana por corrente alternada (TACs, na sigla em inglês). Esse tipo de estimulação, não-invasiva, foi aplicada para sincronizar os circuitos neurais de certas partes específicas do cérebro. É como se isso melhorasse a comunicação entre os circuitos.

Os pesquisadores Robert M.G. Reinhart and John A. Nguyen compararam resultados de testes de memória entre dois grupos, um composto por adultos jovens e outro por pessoas entre 60 e 70 anos. Depois de 25 minutos de estimulação, os voluntários mais velhos apresentaram um resultado tão bom quando os mais jovens.

No outro estudo, pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos também aplicaram correntes elétricas alternadas não-invasivas, nas regiões cerebrais temporais e pré-frontais, e também compararam os desempenhos entre jovens (20-29 anos) e idosos (60-76 anos) em testes de memórias e compararam as atividades cerebrais em atividades que não envolviam a memória de trabalho. O resultado foi que, com a estimulação, os resultados dos testes melhoraram tanto nos idosos quanto nos mais jovens que já apresentavam um declínio de memória.

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