Meta do Brasil no Acordo de Paris implica investir até US$ 1,2 bi por ano

Quantia é necessária para recuperar a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado segundo os métodos mais econômicos disponíveis

Desmate na Amazônia: conta salgada para consertar o estrago. Crédito: Agência Brasil/Arquivo

Para que o Brasil cumpra as metas estabelecidas no Acordo de Paris e recupere Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado, será necessário investir de US$ 700 milhões a US$ 1,2 bilhão por ano, até 2030. O estudo “What makes ecosystem restoration expensive? A systematic cost assessment of projects in Brazil”, publicado na revista “Biological Conservation“, também mostra os métodos mais econômicos para isso.

A regeneração natural, na qual a própria vegetação nativa se recupera sozinha, e a regeneração assistida, na qual ações pontuais são realizadas para acelerar o processo de recuperação, são os principais e mais econômicos métodos para a expansão da vegetação nativa em todo o mundo. Mas estão presentes em apenas 15% dos projetos em andamento no Brasil.

“O recurso limitado é uma barreira para implementar compromissos ambiciosos de restauração de ecossistemas no mundo. Reduzir os custos é essencial para ganharmos escala e atingir as metas do Acordo de Paris”, afirma Julio Tymus, especialista em conservação na The Nature Conservancy (TNC) Brasil.

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No Acordo de Paris, estabelecido durante a COP21, o Brasil se comprometeu a reduzir em 37% suas emissões de gases até 2025, e em 43% até 2030. Para tanto, o país se propôs a recuperar 12 milhões de hectares de terras desmatadas e degradadas por meio da restauração, reflorestamento e regeneração natural até 2030.

Métodos mais caros

Os métodos comumente mais caros, como plantio de mudas e semeadura direta – em que mudas ou sementes, de diferentes espécies, são plantadas na área total a ser recuperada – correspondem de 60 a 90% dos projetos em andamento no Brasil.

A manutenção de todas as atividades de restauração dura alguns anos, independentemente do bioma. Contudo, esses prazos podem não ser suficientes para garantir o sucesso da restauração. Quase 80% das iniciativas, por exemplo, terminam dentro de 30 meses.

“As florestas ajudam a melhorar a qualidade e manutenção da água, a conservar o solo e a manter a biodiversidade de flora e fauna. Também auxiliam na regulação climática, por meio do sequestro de gás carbônico da atmosfera. Trazê-las de volta é essencial para todos”, completa o especialista. Tymus ainda afirma que a restauração de florestas pode reduzir em até um terço as emissões globais de gás carbônico e contribuir para manter o aquecimento global abaixo de 2 ˚C.

O estudo foi desenvolvido por uma parceria entre TNC, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ / USP), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Embrapa e Universidade da Califórnia.