Migração pré-histórica foi uma escolha, e não um acaso

Estudo mostra que os viajantes paleolíticos que venceram uma forte corrente marítima no leste da Ásia e chegaram às Ilhas Ryukyu (que incluem Okinawa) não fizeram o trajeto por acidente

Embarcação de bambu do tipo possivelmente usado para a migração até as Ilhas Ryukyu: viagem com condições bem complicadas para navegadores ocasionais. Crédito: © 2020 Yosuke Kaifu

A migração humana nos últimos 50 mil anos é uma parte essencial da história humana. Um aspecto dessa história que fascina a muitos é a maneira como os povos antigos devem ter viajado entre massas de terra separadas pelo mar. O professor Yosuke Kaifu, do Museu Nacional de Natureza e Ciência da Universidade de Tóquio (Japão), e sua equipe exploram esse assunto. Interessa-lhes em particular uma travessia ocorrida entre 35 mil e 30 mil anos atrás, de Taiwan para as Ilhas Ryukyu (que incluem Okinawa), no sudoeste do Japão. Os resultados de seu estudo foram publicados na revista “Scientific Reports”.

“Existem diversos estudos sobre as migrações paleolíticas para a Austrália e suas massas de terra vizinhas, muitas vezes discutindo se essas viagens foram acidentais ou intencionais”, disse Kaifu. “Nosso estudo analisa especificamente a migração para as Ilhas Ryukyu, porque ela não é apenas historicamente significativa, mas também é muito difícil chegar lá. O destino pode ser visto do topo de uma montanha costeira em Taiwan, mas não do litoral. Além disso, está do lado oposto do Kuroshio, uma das correntes marítimas mais fortes do mundo. Se eles cruzaram esse mar deliberadamente, deve ter sido um ato ousado de exploração.”

Essa questão da intencionalidade dessa jornada é menos simples de resolver do que se pode imaginar. Para investigar a probabilidade de a viagem ocorrer por acaso, o efeito do Kuroshio em embarcações à deriva precisava de medição. Para fazer isso, Kaifu e sua equipe usaram 138 boias rastreadas por satélite a fim de traçar o caminho de um possível viajante apanhado nessa jornada.

Resultados claros

“Os resultados foram mais claros do que eu esperava”, disse Kaifu. “Apenas quatro das boias chegaram a 20 quilômetros de qualquer uma das ilhas Ryukyu, e tudo isso foi devido a condições climáticas adversas. Se você fosse um antigo marinheiro, é muito improvável que tivesse feito qualquer tipo de viagem com tal tempestade no horizonte. O que isso nos diz é que o Kuroshio direciona os viajantes errantes para longe das Ilhas Ryukyu, em vez de na direção delas. Em outras palavras, essa região deve ser navegada ativamente.”

Como se pode ter tanta certeza de que a própria corrente é a mesma de há mais de 30 mil anos? As evidências existentes, incluindo registros geológicos, dizem aos pesquisadores que as correntes na região têm permanecido estáveis ​​pelo menos nos últimos 100 mil anos. Quanto à confiança dos pesquisadores de que os viajantes do Paleolítico não ousariam enfrentar condições tempestuosas que poderiam explicar migrações fortuitas, pesquisas anteriores sugerem que esses viajantes eram grupos que incluíam famílias, cujos análogos modernos não correm tais riscos.

“No início, eu não tinha ideia de como demonstrar a intencionalidade das travessias marítimas. Mas tive a sorte de conhecer meus coautores em Taiwan, as principais autoridades no Kuroshio, e tive a ideia de usar as boias de rastreamento”, disse Kaifu. “Agora, nossos resultados sugerem que a hipótese de deriva para a migração paleolítica nessa região é quase impossível. Acredito que tivemos sucesso em fazer um forte argumento de que as populações antigas em questão não eram passageiros do acaso, mas exploradores.”

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