Mistério resolvido: plásticos em ilha deserta são levados por aves

Gaivotas e outros pássaros marinhos confundem tiras plásticas com vermes e as levam para a ilha Muillon, onde têm seus ninhos

Parte do lixo plástico coletado na ilha Mullion: os humanos não moram lá, mas nem por isso a ilha está livre do impacto de sua atividade. Crédito: Seth Jackson/National Trust

A presença de milhares de tiras elásticas coloridas na ilha Muillon, na costa da Cornualha (sudoeste do Reino Unido), que abriga uma colônia de pássaros protegidos – e nenhum humano – intrigava os responsáveis pelo local. A resposta para o mistério, segundo o jornal “The Guardian“, foi dada recentemente por ornitólogos do West Cornwall Ringing Group e do National Trust, instituição britânica que cuida da conservação ambiental e patrimonial na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte: os artefatos plásticos são levados para lá por gaivotas e outras aves marinhas, que os confundem com vermes.

“Notamos os elásticos pela primeira vez em uma visita de monitoramento durante a época de reprodução e ficamos confusos sobre por que havia tantos e como chegaram lá”, disse Mark Grantham, do West Cornwall Ringing Group, em comunicado. “Para evitar perturbar as ninhadas, fizemos uma viagem especial no outono para limpar a sujeira. Em apenas uma hora, coletamos milhares de tiras e punhados de resíduos de pesca.”

A isolada e desabitada ilha Mullion é um refúgio para ninhos de pássaros. Ela é tão remota que, para visitá-la, é necessário ter uma permissão especial. Mas isso não significa que ela está imune aos efeitos da atividade humana.

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“É um pouco deprimente, um sinal dos tempos”, avaliou Grantham. “É um lugar bonito e as pessoas raramente vão lá, mas isso mostra como os seres humanos têm impacto em todos os lugares.”

Ilha Mullion: para ir até lá é preciso autorização oficial. Crédito: Martin Bodman/Wikimedia
Declínio

“Plástico e borracha ingeridos são outro fator em uma longa lista de desafios que nossas gaivotas e outras aves marinhas devem enfrentar apenas para sobreviver”, disse Rachel Holder, guarda-florestal do National Trust. “Apesar de serem barulhentas e aparentemente comuns, as gaivotas estão em declínio. Elas já estão lutando com mudanças nas populações de peixes e distúrbios nos locais de nidificação – e comer tiras elásticas e resíduos de pesca não ajuda a aliviar sua situação.”

Especialistas consideram que os alcatrazes-comuns e as gaivotas-prateadas confundem os elásticos com comida e os pegam quando visitam áreas de plantio. Os guardas-florestais relataram ter encontrado tiras cor de bronze, amarelas e verdes entre pelotas regurgitadas, bem como pacotes de rede de pesca verde e barbante que os pássaros provavelmente retiraram da superfície do oceano.

O National Trust observa que os incidentes envolvendo mamíferos marinhos e plásticos são bem conhecidos no mundo. Nos últimos anos, as grandes populações de alcatrazes-comuns caíram 30%. A gaivota-prateada já é listada como ameaçada.