MIT cria o material mais preto que existe

Inovação, que absorve pelo menos 99,995% da luz, será útil em observações astronômicas, como as relacionadas ao descobrimento de planetas fora do Sistema Solar

A obra "The Redemption of Vanity": o reluzente diamante à esquerda parece não existir quando revestido com o novo material (direita). Crédito: R. Capanna/A. Berlato/A. Pinato

Engenheiros do Massachusetts Institute of Technology (MIT) anunciaram ter criado um material dez vezes mais preto do que qualquer coisa relatada anteriormente. O material é feito de nanotubos de carbono (CNTs, na abreviatura em inglês) alinhados verticalmente, cultivados em uma superfície de papel alumínio gravado com cloro. A inovação absorve pelo menos 99,995% da luz que entra. A descoberta é apresentada em artigo publicado na revista “ACS-Applied Materials and Interfaces”.

A inovação também está sendo exibida em uma mostra na Bolsa de Valores de Nova York. A obra “The Redemption of Vanity” (A Redenção da Vaidade), colaboração de Brian Wardle, professor de aeronáutica e astronáutica do MIT, e seu grupo com Diemut Strebe, artista residente do MIT, apresenta um diamante amarelo natural de 16,78 quilates (preço: US$ 2 milhões) revestido com o novo material. A novidade faz com que a gema, brilhantemente facetada, pareça um vazio preto liso.

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Segundo Wardle, o novo material pode ser útil, por exemplo, em cortinas ópticas que reduzem o brilho indesejado, para ajudar telescópios espaciais a localizar exoplanetas em órbita.

Alvo em movimento

“Existem aplicações de ciências ópticas e espaciais para materiais muito escuros e, é claro, os artistas se interessaram pelo preto, voltando bem antes do Renascimento”, diz Wardle. “Nosso material é dez vezes mais escuro do que qualquer coisa já relatada, mas acho que o preto mais preto é um alvo em constante movimento. Alguém encontrará um material mais escuro e, eventualmente, entenderemos todos os mecanismos subjacentes e conseguiremos projetar adequadamente o preto definitivo.”

O material já conquista interesse na comunidade aeroespacial. “Instrumentos ópticos, como câmeras e telescópios, precisam se livrar do brilho indesejado, para que você possa ver o que deseja”, diz o astrofísico John Mather, vencedor do prêmio Nobel. “Você gostaria de ver uma Terra orbitando outra estrela? Precisamos de algo muito preto. (…) E esse preto tem que ser resistente para aguentar o lançamento de um foguete.”