Mosca-de-banheiro: dez curiosidades sobre esse hóspede indesejado

Esses pequenos insetos se alimentam do acúmulo orgânico encontrado nos ralos e encanamentos, mas sua presença constante não é sinal de higiene

Mosca-de-banheiro: presença polêmica no lar. Crédito: Sanjay Acharya/Wikimedia

A quarentena provocada pela pandemia de covid-19 e a consequente presença mais constante das pessoas em casa fizeram com que muitas delas notassem a presença de pequeninas moscas felpudas, que lembram minúsculas mariposas, em banheiros e cozinhas. A seguir, apresentamos dez curiosidades sobre esses insetos.

1) Pertencentes à família Psychodidae, esses dípteros de pequeno porte são popularmente conhecidos como mosca-de-banheiro, mosca-dos-ralos ou mosca-dos-filtros. Em inglês, são popularmente chamados de moth flies (moscas mariposas). O nome científico vem da cobertura de pelos e de escamas que dão a essas moscas a aparência de uma mariposa felpuda. Entre seus habitats mais familiares estão os ralos e encanamentos (sujos) de nossos banheiros e cozinhas. A explicação para isso é simples: é nesses ralos e encanamentos que suas larvas eclodem.

2) As larvas desses dípteros se alimentam de matéria em decomposição e pedaços de detritos orgânicos. Tal como muitas moscas verdadeiras, esses insetos podem ser importantes decompositores. No caso de banheiros e cozinhas, por exemplo, eles se alimentam do acúmulo orgânico de seus canos.

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3) O estágio larval das moscas-de-banheiro dura entre 9 e 15 dias, dependendo da espécie, temperatura e ambiente. Em pequeno número, às vezes as larvas são consideradas benéficas, pois suas mandíbulas fortes podem cortar os cabelos e o lodo de esgoto em ralos que, de outra forma, poderiam formar entupimentos. No entanto, a menos que essa camada de lodo seja removida completamente, a mosca adulta continua a encontrá-la e botando mais ovos ali.

Voadores irregulares

4) Os adultos vivem cerca de 20 dias, durante os quais se reproduzem apenas uma vez, geralmente poucas horas depois de emergirem de seus invólucros de pupas.

5) As fêmeas depositam seus ovos (entre 30 e 100) logo acima da linha da água dentro de ralos úmidos. Dentro de 48 horas, esses ovos eclodem na forma larval.

6) Os adultos são tipicamente noturnos, embora se orientem em torno das luzes e possam parecer atraídos pela luz e pelos odores. Não voam com regularidade; são frequentemente vistos andando ou correndo rapidamente. Embora sejam mais ativos à noite, também podem ser vistos durante o dia ou perto de janelas, luzes ou painéis iluminados.

7) A família Psychodidae engloba mais de 3 mil espécies conhecidas no mundo, e provavelmente há muitas outras a serem descobertas e descritas. Membros de grupos como Maruina têm larvas com ventosas na barriga que os ajudam a se prender a rochas em riachos e cachoeiras. Outras larvas, como do grupo Trichomyia, lembram mais vermes e vivem em madeira podre.

Sangue como alimento

8) Os insetos Psychodidae também são encontrados na natureza – em geral, em lugares muito úmidos, como lixo úmido ou poças d’água. Seus habitats favoritos incluem pilhas de compostagem, corpos d’água formados por plantas terrestres (chamados fitotelmas) como furos de árvores e bromélias, esterco, grandes massas de água e outros locais úmidas onde a matéria orgânica se acumula.

9) Uma subfamília dos Psychodidae, a Phlebotominae, inclui vários gêneros de moscas hematófagas (que se alimentam de sangue). Estão aí os principais vetores de transmissão de doenças graves: leishmaniose (causada pelo gênero protozoário Leishmania), bartonelose (causada pela bactéria Bartonella) e febre por flebótomos. No Velho Mundo, o vetor mais comum de leishmaniose são espécies do gênero Phlebotomus; já no Novo Mundo, a doença é transmitida exclusivamente por espécies do gênero Lutzomyia.

10) As fêmeas adultas de algumas espécies da subfamília Sycoracinae também se alimentam de sangue, mas têm uma preferência específica: sapos.

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