Museu do Desamor

Seja por que for, o sentimento de perda de um amor extrapola as fronteiras e iguala as pessoas.

Foi meio sem querer. Tivemos uma ideia com a qual a maioria das pessoas se identifica porque não há quem não conheça o sentimento de perda, solidão e desilusão amorosa. O Museum of Broken Relationships é uma oportunidade para que cada um faça algo a esse respeito sendo criativo para se recuperar da dor.” É assim que Drazen Grubisic, artista croata, começa a falar do Museu das Relações Partidas que criou e dirige, surgido, quase por acaso, como consequência da sua própria separação.

Drazen e a artista Olinka Vistica haviam se separado amigavelmente depois de terem vivido quatro anos juntos. O convite para participar de uma Bienal de Arte em Zagreb em 2006 ofereceu a oportunidade para pôr em prática a inédita ideia. Juntos, os examantes reuniram 40 objetos de amigos – e também deles próprios – e armaram uma exposição num contêiner.

O sucesso foi absoluto e a experiência prosperou em mostras itinerantes, desde São Francisco, nos Estados Unidos, a Cingapura, na Ásia, até ganhar uma sede permanente, em Zagreb. No seu curto tempo de existência, as mostras já estiveram nos Estados Unidos (na cidade de Saint Louis), África do Sul (Cidade do Cabo), Sérvia (Belgrado), Alemanha (Berlim), Macedônia, Eslovênia, Reino Unido, Irlanda, Turquia e têm datas marcadas para Paris, Viena, Boulder (no Estado do Colorado, EUA), e, futuramente, Japão, Austrália e América do Sul. O sucesso é inquestionável.

“O museu abre a possibilidade de transcender a carga emocional por um ritual de catarse que põe fim à experiência dolorosa.” Drazen Grubisic é categórico em afirmar que o contexto universal de experiências semelhantes ajuda a convalescença da separação e parece ter um efeito profilático.

“Qualquer que seja a motivação para doar os pertences pessoais – seja por exibicionismo, por alívio terapêutico ou por simples curiosidade –, acredito que o público abraçou a ideia de exibir legados de amor como uma espécie de ritual, como uma cerimônia solene,” afirma Drazen.

Dor universal

Da experiência pessoal do casal de fundadores, o testemunho é um coelho, um brinquedo de corda que era o bichinho de estimação do par. “Viajávamos muito e quem estava fora levava o coelho e tirava fotos com ele em lugares especiais. Ele foi o primeiro objeto doado ao museu.” Hoje, o coelho está na mostra permanente em Zagreb ao lado da sua própria foto, tirada num deserto perto de Teerã. Foi sua última viagem como amuleto.

Histórias de desencanto, de decepção, de divórcio e de morte são universais e tocam todas culturas, religiões e raças. Os 800 objetos doados ao museu são prova disso. “Sinceramente, pensávamos que houvesse maiores diferenças entre as culturas, mas parece que, no que toca aos rompimentos, todos sofremos da mesma forma”, diz Grubisic. Embora as histórias sejam pessoais, também comunicam muitas coisas. Diferenças culturais, religiosas, problemas econômicos e guerras estão incorporados a histórias íntimas e individuais. Somos influenciados pela atmosfera política, econômica, social e cultural e é natural que tudo se reflita nas relações amorosas e pessoais.

Nas Filipinas, por exemplo, grande número de separações ocorre porque um dos parceiros parte em busca de emprego no Exterior. Istambul foi o lugar de onde a maioria das doações partiu de homens e não de mulheres. Por quê? Porque a sociedade turca mudou tão velozmente nos últimos anos que os homens não tiveram tempo de se adaptar às transformações na relação entre gêneros.

Há uma vasta gama de emoções presente nos objetos expostos: raiva, dor, alívio, tristeza, remorso. Algumas doações são óbvias – vestidos de noiva, bichos de pelúcia, lingeries –, mas cada história aciona partes diferentes do sistema emocional. Há de tudo: mapas, notas de dinheiro, um espelho retrovisor, um vidrinho com lágrimas e um machado. Por trás de cada uma há uma história muito pessoal.

Uma das mais recentes doações, lembra o diretor, veio acompanhada de uma carta explicando como o doador, após visitar a exposição em Zagreb, havia experimentado o fim abrupto de uma relação. Sentindo que não iria fazer sua justiça à história se jogasse fora uma escova de dentes, o único objeto que sobrara, sentiu necessidade de enviá-la com uma mensagem: “Espero que vocês cuidem bem dela”.

Antropologia do amor

Os depoimentos pessoais esclarecem que o museu não é sobre objetos, mas sobre as histórias deles. Cada coisa é a chave para um conto extremamente particular que atinge certeiramente todos que tenham amado um dia, oferecendo uma espécie de antropologia universal do amor.

O Museu das Relações Partidas já é a terceira atração mais visitada de Zagreb – 30 mil pessoas por ano e mais 400 mil das mostras itinerantes até agora. Premiado em 2011 com o Kenneth Hudson Award como o mais inovador museu da Europa, foi a única instituição europeia a se apresentar, em 2011, no American Museum Conference, em Houston, Texas, com grande sucesso. Durante duas semanas sua mostra itinerante também foi a exposição número 1 no Reino Unido.

“Para uma pequena mostra, com tão poucos fundos, foi mesmo incrível”, diz o orgulhoso Dazen Grubisic.

 

Ritos de amor perdido

Instalado na parte alta de Zagreb, no bairro de Gornji Grad, o Museu das Relações Partidas mostra em diversas salas, por meio de objetos variados, histórias de casais que se separaram por diferentes motivos.

 

No Brasil

O Brasil poderá receber mostras itinerantes do Museu das Relações Partidas em março de 2013. Há três mostras programadas, ainda em negociação: no Rio, em São Paulo e em Brasília. A coleção de objetos já foi enriquecida com três contribuições de brasileiros. A instituição está aberta para doações de qualquer parte do mundo. Basta enviar um objeto com o relato da sua história. A identidade do doador ficará no anonimato, embora quem doe precise informar o nome e preencher um formulário no site www.brokenships.com

 

 

Serviço

Museum of Broken Relationships
Endereço:
?irilometodska 2, 10 000 Zagreb, Croácia
Horário: De 1º de junho a 15 de outubro, todos os dias, das 9h às 22h30; de 16 de outubro a 31 de maio, das 9h às 21h. Fechado no Natal, no Ano Novo e na Páscoa.
Ingresso: 25 Kn (kunas croatas), aproximadamente R$ 8,80
Atrações: o museu dispõe de um café, bem instalado, com vista para o mirante de Zagreb, parada técnica para quem precisa recuperar o equilíbrio emocional. Sua loja vende objetos, de camisetas a material de casa, escritório e decoração, produzidos por artistas plásticos revelados pela The Brokenships Design Competition em colaboração com a Croatian Designers Society.

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