Não há sinal de tecnologia alienígena em 10 milhões de sistemas estelares

Conclusão é de observatório australiano após observações na constelação da Vela, na pesquisa mais ampla já realizada sobre o tema

Uma das 128 peças do MWA, na Austrália Ocidental: varredura de 10 milhões de estrelas não mostrou sinal de civilizações tecnológicas. Crédito: WA Department of Commerce

Um radiotelescópio no interior da Austrália Ocidental completou a pesquisa mais abrangente e profunda em baixas frequências na busca por tecnologias alienígenas. Foi examinado um pedaço do céu conhecido por incluir pelo menos 10 milhões de estrelas.

Os astrônomos usaram o telescópio Murchison Widefield Array (MWA) para explorar centenas de vezes mais amplamente do que qualquer pesquisa anterior por vida extraterrestre.

O estudo, publicado na revista “Publications of the Astronomical Society of Australia”, observou o céu ao redor da constelação da Vela. Nessa parte do universo, pelo menos, parece que outras civilizações são evasivas, se é que existem.

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O trabalho foi conduzido pelo drª Chenoa Tremblay, astrônoma da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (Csiro, o a agência nacional de ciência da Austrália) e pelo professor Steven Tingay, do núcleo da Universidade Curtin do Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia (Icrar, da Austrália).

Frequência FM

Tremblay disse que o telescópio está procurando por emissões de rádio poderosas em frequências semelhantes às frequências de rádio FM, que podem indicar a presença de uma fonte inteligente. Essas possíveis emissões são conhecidas como “tecnoassinaturas”.

“O MWA é um telescópio único, com um campo de visão extraordinariamente amplo que nos permite observar milhões de estrelas simultaneamente”, disse ela. “Observamos o céu ao redor da constelação da Vela por 17 horas, parecendo mais de 100 vezes mais amplo e profundo do que antes. “Com este conjunto de dados, não encontramos tecnossinaturas – nenhum sinal de vida inteligente.”

Segundo Tingay, embora essa seja a pesquisa mais ampla feita até agora, ele não ficou chocado com o resultado. “Como Douglas Adams observou no Guia do Mochileiro das Galáxias, ‘o espaço é grande, realmente grande’. E embora este tenha sido um estudo realmente grande, a quantidade de espaço que examinamos foi o equivalente a tentar encontrar algo nos oceanos da Terra, mas apenas procurando um volume de água equivalente a uma grande piscina de quintal.”

Busca continua

Ele prosseguiu: “Como não podemos realmente supor como possíveis civilizações alienígenas podem utilizar a tecnologia, precisamos pesquisar de muitas maneiras diferentes. Usando radiotelescópios, podemos explorar um espaço de busca em oito dimensões. (…) Embora haja um longo caminho a percorrer na busca por inteligência extraterrestre, telescópios como o MWA continuarão a empurrar os limites. Temos de continuar procurando.”

O MWA é um precursor do instrumento que vem a seguir, o Square Kilometer Array (SKA), um observatório de 1,7 bilhão de euros com telescópios na Austrália Ocidental e na África do Sul. “Devido ao aumento da sensibilidade, o telescópio de baixa frequência SKA a ser construído na Austrália Ocidental poderá detectar sinais de rádio semelhantes à Terra de sistemas planetários relativamente próximos”, disse Tingay. “Com o SKA, poderemos pesquisar bilhões de sistemas estelares, buscando tecnoassinaturas em um oceano astronômico de outros mundos.”

O MWA está localizado no Observatório de Radioastronomia de Murchison, uma instalação astronômica remota e silenciosa, estabelecida e mantida pela Csiro. O SKA será construído no mesmo local, mas será 50 vezes mais sensível e poderá realizar experimentos de busca de vida extraterrestre inteligente muito mais aprofundados.

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