Nave israelense espalha tardígrados pela Lua

A espaçonave Beresheet, que se chocou na Lua em 11 de abril, levava um carregamento de arquivos sobre o planeta Terra, DNA humano e um lote de centenas destes animais microscópicos e extremamente resistentes

tardígrado
Tardígrado / Foto: German Cancer Research Center (DKFZ)

Os tardígrados são animais microscópicos e um tanto quanto esquisitos. Mas também são bichos extremamente resistentes. Eles conseguem sobreviver a temperaturas gélidas ou escaldantes (até 150°C) e a níveis de radiação de 5 mil Gy, cerca de 1000 vezes mais que um ser humano pode suportar.

Agora, centenas destes microscópicos animais estão espalhados pela Lua. Em 11 de abril deste ano, a espaçonave israelense Beresheet estava prestes a se tornar a primeira nave privada a pousar no nosso satélite. Mas, pouco antes do pouso, o controle da missão perdeu controle com a nave e ela se chocou no solo lunar.

Uma das coisas que a nave levava era um carregamento da Fundação Missão Arca, uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é montar um “backup” da humanidade, ou seja, arquivar conhecimento e espécies do nosso planeta para as gerações futuras.

No carregamento da Arca havia arquivos digitais contendo o equivalente a 30 milhões de páginas de informações em livros, imagens, enciclopédias, etc, amostras de DNA humano e centenas de tardígrados.

Em entrevista à revista Wired, Nova Spivack, fundador da Fundação Missão Arca, disse que, com base em análises da trajetória e de imagens da queda da espaçonave, é possível que seu carregamento tenha sobrevivido sem grandes danos.

O segredo dos tardígrados é que eles conseguem se encolher como sementes e expulsar a água do corpo, “desligando” seu metabolismo. É nessa condição de hibernação que eles conseguem sobreviver a condições extremas, e é nesse estado desidratado que os animais foram enviados à Lua.

Em pesquisas anteriores, cientistas conseguiram reviver tardígrados desidratados durante anos ao colocá-los na água. Uma vez reavivados, eles voltam a comer e se reproduzir normalmente.

Em entrevista ao jornal “The Guardian“, Lukasz Kaczmarek, especialista em tardígrados e astrobiólogo na Universidade Adam Mickiewicz, em Poznan, na Polônia, disse que a chance de que os animais na Lua revivam sozinho é mínima. O cientista afirmou que os bichinhos não poderiam colonizar o satélite, já que não há atmosfera ou água líquida lá. Mas seria possível trazê-los de volta à Terra e tentar revivê-los.

Quem sabe um dia alguma equipe de astronautas consiga reaver a carga da Arca e fazer essa experiência com esses animais fascinantes.

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