250 organizações se comprometem com uma Nova Economia do Plástico

Anunciado Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico para criar uma nova realidade para as embalagens plásticas, de forma que não se tornem resíduo ou poluição

Ilha Henderson: quase 18 toneladas de plástico (Foto: Divulgação)

Foi oficialmente lançado hoje o Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico (New Plastics Economy), na Our Ocean Conference, que acontece em Bali (Indonésia), liderado pela Fundação Ellen MacArthur, organização inglesa criada em 2010 para promover a abordagem de Economia Circular pelo mundo. O objetivo é criar uma nova realidade para as embalagens plásticas, atacando a raiz do problema, de forma que não se tornem resíduo ou poluição.

LEIA MAIS: Repensar a forma de desenhar, produzir e comercializar produtos para garantir o uso – e reúso – inteligente dos recursos naturais. Esta é a proposta da “economia circular”.

A iniciativa Nova Economia do Plástico, iniciada há quase 3 anos também pela fundação, reuniu um grupo fechado de 40 organizações para trabalhar metas ambiciosas nessa direção, como inovar as embalagens plásticas para que sejam 100% reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até, no máximo, 2025. As embalagens plásticas não são a única fonte de poluição por plástico, mas representam o principal uso desse material, já que cerca de um terço (1/3) de todo o plástico produzido é destinado à produção de embalagens.

O Compromisso Global agora expande essa proposta para um grupo maior. Liderado também pela fundação Ellen MacArthur, em colaboração com a ONU Meio Ambiente, e contando com o apoio da WWF, o Compromisso, de início, já une os esforços de 250 organizações, incluindo 123 empresas – entre elas alguns dos maiores fabricantes, marcas, varejistas e recicladores de embalagens do mundo -, instituições acadêmicas, governos (o Brasil não está entre eles) e ONGs. O grupo inicial já representa 20% do de todas as embalagens plásticas produzidas globalmente – como  Danone, grupo H&M, L’Óréal, Mars, Incorporated, Natura Cosmetics, PepsiCo, The Coca-Cola Company e Unilever. A ideia é ir ampliando o número de adeptos.  

Apesar de o governo brasileiro não estar entre os signatários, o Compromisso Global teve grande adesão também no país e na América Latina, incluindo Boomera, Coca-Cola FEMSA, Natura, POSITIV.A, Industria Mexicana de Reciclaje S.A. de C.V., TriCiclos, Governo do Chile, Ministério de Meio Ambiente do Peru e endossado por instituições reconhecidas na região, incluindo a Universidade de São Paulo, o Insper, a Universidade Nacional de Quilmes, na Argentina, e o Sistema B.

Arraia-manta nada perto de plástico no litoral da Indonésia (Foto: Divulgação)

Luísa Santiago, representante da Fundação no Brasil, afirma que todos os envolvidos precisam ir além do que já estão fazendo, mesmo as empresas que já tenham políticas sustentáveis em relação ao plástico. E a cada 18 meses os objetivos comuns devem ser revisto para elevar as metas, rumo a uma economia circular do plástico, de fato. As signatárias ainda se comprometem a publicar anualmente dados indicativos do seu progresso a fim de gerar impulso e garantir transparência.

“A poluição por plásticos é um desafio global, e muitos dos esforços que nós vemos hoje para endereçar essa questão se concentram em remover os plásticos que chegam ao oceano. Embora sejam importantes, essas soluções não endereçam a raiz da questão”, diz Luísa. A fundação redireciona o olhar para a origem desse fluxo de plástico que chega aos oceanos todos os anos.

Em termos gerais, o compromisso se baseia em seis pontos-chave: eliminar de embalagens plásticas problemáticas ou desnecessárias através do redesenho, da inovação, e de novos modelos de entrega; reduzir da necessidade de embalagens de uso único por modelos de reúso onde for relevante; inovar das embalagens plásticas para que sejam 100% reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis; fazer com que todas as embalagens plásticas sejam reutilizadas, recicladas, ou compostadas na prática; dissociar o uso do plástico do consumo de recursos finitos; garantir que todas as embalagens plásticas sejam livres de substâncias químicas perigosas, e que a saúde, a segurança e os direitos de todos os envolvidos sejam respeitados.

Os governos que assinam o Compromisso Global se comprometem a estabelecer políticas públicas e condições viabilizadoras para apoiar as suas metas e visão. O Compromisso Global e sua visão para uma economia circular do plástico foram endossados pelo Fórum Econômico Mundial, The Consumer Goods Forum (uma organização liderada por CEOs representando cerca de 400 varejistas e fabricantes de 70 países), e 40 universidades, instituições e acadêmicos. Mais de quinze instituições financeiras com mais de $2.5 trilhões em ativos sob gestão também endossaram o Compromisso Global, e mais de $200 milhões foram assegurados por cinco fundos de investimento para criar uma economia circular para o plástico.

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