Nova função dos sismógrafos: medir o isolamento social

Estudo brasileiro mostrou que existe uma boa correlação entre ruídos sísmicos e nível de isolamento

Trânsito no Rio de Janeiro: frota reduzida na pandemia gera menos ondas sísmicas. Crédito: Léo Ramos Chaves

Em razão das medidas de isolamento social adotadas para conter a pandemia, sismógrafos instalados em grandes cidades, como Los Angeles, Barcelona e Milão, registraram uma redução significativa das ondas geradas pela movimentação do solo. Com mais gente em casa e sobretudo menos veículos nas ruas, os ruídos sísmicos diminuíram.

Segundo trabalho de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Observatório Nacional (ON), do Rio de Janeiro, esse tipo de dado pode ser usado como um indicador adicional do nível de adesão de uma população urbana às medidas de restrição de mobilidade (“Geophysical Research Letters”, 2 de agosto).

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Eles compararam os registros da estação sismológica do ON com as informações de uma empresa que monitora a movimentação das pessoas pelo rastreamento de seus celulares, técnica atualmente adotada como padrão para calcular o grau de isolamento social. Constataram que há boa correlação entre os dois tipos de medida: quando sobe o nível de isolamento, caem os ruídos sísmicos, causados essencialmente pelo deslocamento de carros, ônibus e trens.

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