Nova técnica mostra berçário de estrelas com nitidez inédita

Óptica adaptativa possibilitou aos cientistas observar a nebulosa Carina em detalhes sem precedentes

Seção de 50 trilhões de quilômetros (5 anos-luz) de comprimento da muralha oeste da nebulosa Carina, conforme observado com a óptica adaptativa no telescópio Gemini South: estruturas incomuns reveladas. Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/Aura. Agradecimento: Patrick Hartigan (Universidade Rice)/Travis Rector (Universidade do Alasca em Anchorage), Mahdi Zamani e Davide de Martin

Astrônomos usando o Observatório Gemini internacional, um programa do NOIRLab da National Science Foundation (NSF), dos EUA, capturaram a parte oeste da nebulosa Carina com detalhes sem precedentes, em uma imagem extraordinária divulgada esta semana. A imagem revela uma série de estruturas incomuns na nebulosa. Os detalhes requintados revelados na imagem se devem em parte a uma tecnologia conhecida como óptica adaptativa, que resultou em uma melhoria dez vezes maior na nitidez das observações da equipe de pesquisa.

O artigo que aborda esse trabalho foi publicado na revista “The Astrophysical Journal Letters”.

Não há melhor localização para investigar o nascimento de estrelas do que as nebulosas. É nessas regiões de gás e poeira que as estrelas se aglutinam, aquecem-se e começam a brilhar. A brilhante nebulosa Carina, visível no céu do hemisfério sul, é 500 vezes maior em área real do que a mais conhecida nebulosa de Órion. Isso a torna uma candidata ideal para se investigar a formação de estrelas.

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A equipe usou a óptica adaptativa no telescópio Gemini South de 8,1 metros no Chile para melhorar significativamente as observações anteriores da parede oeste da nebulosa Carina, a borda bem definida da nebulosa. A óptica adaptativa compensa os efeitos da turbulência na atmosfera terrestre para produzir imagens nítidas, comparáveis ​​às de um telescópio espacial. Na verdade, esta imagem é uma reminiscência dos famosos Pilares da Criação do Hubble na nebulosa da Águia.

Uso da luz infravermelha

As regiões de formação de estrelas são envoltas em poeira. Mas é possível ver através da mortalha de poeira observando-a na luz infravermelha. A equipe, liderada por Patrick Hartigan, da Universidade Rice, utilizou o Gemini South Adaptive Optics Imager (GSAOI), uma câmera óptica adaptativa de infravermelho próximo, para perscrutar através das camadas externas de poeira e revelar uma enorme muralha de poeira e gás brilhando com a luz ultravioleta intensa de estrelas jovens massivas próximas.

Essa região é um grande exemplo da parede mencionada. A imagem no alto fornece uma visão muito clara de uma região de formação de estrelas no infravermelho próximo.

Com uma resolução dez vezes maior do que seria sem a óptica adaptativa do solo, a imagem revela uma riqueza de detalhes nunca antes observados. Essa seção da nebulosa revela uma série de estruturas incomuns. Há uma longa série de cristas paralelas que poderiam ser produzidas por um campo magnético, uma onda notável quase perfeitamente lisa e fragmentos que parecem estar sendo arrancados da nuvem por um vento forte. Também há evidências de um jato de material ejetado de uma estrela recém-formada.

Possível cenário da formação do Sol

A imagem fornece a visão mais nítida até o momento de como estrelas jovens massivas afetam seus arredores e influenciam como a formação de estrelas e planetas ocorre. “É possível que o Sol tenha se formado em tal ambiente”, disse Hartigan. “Nesse caso, a radiação e os ventos de qualquer estrela massiva próxima teriam afetado as massas e a atmosfera dos planetas externos do Sistema Solar.” Os astrônomos estão apenas começando a modelar como essas estrelas afetam a evolução dos sistemas planetários.

Esta imagem espetacular é uma demonstração maravilhosa da eficácia da óptica adaptativa. É também a primeira vez que essa região do espaço foi observada com o uso de tal técnica. Por isso, cada novo detalhe é um fascinante primeiro vislumbre para os astrônomos e o público em geral. O recurso dá uma amostra do que poderia ser possível com o futuro Telescópio Espacial James Webb.

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