Novo método revela segredos de cartas de amor de Maria Antonieta

Correspondência mantida durante cerca de um ano entre a rainha francesa e o conde sueco Axel von Fersen foi estudada em detalhes por pesquisadores da Universidade Sorbonne

Trecho de uma das cartas estudadas pelos pesquisadores, escrita por Maria Antonieta em 4 de janeiro de 1792. Crédito: CRC

Cientistas da Universidade Sorbonne (França) desenvolveram um novo método de escaneamento para descobrir a escrita original em documentos históricos, o qual consegue separar a composição química das diferentes tintas usadas nesses textos. O primeiro teste do método foi a análise de 15 cartas trocadas entre a rainha francesa Maria Antonieta e o conde sueco Axel von Fersen por requisição dos Arquivos Nacionais Franceses, onde elas estão guardadas. O conde era amigo íntimo da rainha e possivelmente seu amante.

O teste se revelou bem promissor. A nova técnica permitiu que os pesquisadores lessem as correspondências por completo. Conseguiram identificar palavras e expressões como “Não sem você”, “Meu caro amigo”, “Você, a quem amo e continuarei a amar até meu…”, rabiscadas com tinta escura possivelmente para ocultar o sentimento amoroso que sugeriam. Descobriram até mesmo o autor dos rabiscos: o próprio conde. O estudo que trata das descobertas foi publicado na revista Science Advances.

As correspondências foram trocadas entre junho de 1791 e agosto de 1792. Nesse período, a família real francesa era mantida sob rígida vigilância em Paris, depois de uma tentativa de fuga da França. Logo a monarquia francesa seria abolida. Em 1793, o casal real, Luís XVI e Maria Antonieta, foi guilhotinado.

Trechos censurados

Embora a maior parte de cada letra das cartas examinadas fosse legível, certas palavras ou seções ficaram ocultas sob letras aleatórias (sobretudo Js, Ls e Ts) e riscos pesados feitos em volteios com o objetivo de censurar o texto. O material já havia sido examinado nos anos 1990 por unidades forenses da Polícia Nacional francesa, sem sucesso.

Este ano, Anne Michelin e sua equipe usaram varredura de fluorescência de raios X para aprimorar a análise das composições na tinta das letras de elementos metálicos como cobre, ferro e zinco. Como as várias tintas usadas nas letras continham diferentes proporções desses elementos, os pesquisadores puderam personalizar suas técnicas de digitalização para decifrar palavras originais ocultas sob as camadas de tinta.

O que mais surpreendeu a equipe foi a descoberta de von Fersen como o censor das cartas. Ele usou as mesmas tintas para escrever e redigir algumas das correspondências.

“Provavelmente havia razões políticas para guardar as cartas”, disse Michelin. Segundo ela, a intenção das correspondências era apresentar uma imagem pública mais favorável da rainha. “Mas von Fersen poderia apenas ter sido muito apegado a essas cartas, também.”

Apesar dos indícios, e de relações extraconjugais serem comuns na realeza francesa, as palavras recém-descobertas não oferecem 100% de certeza que a rainha e o conde eram amantes, observou Michelin. “A correspondência é sempre apenas uma parte de toda a história”, disse ela. “Nós escrevemos, mas não necessariamente escrevemos o que pensamos. E o que escrevemos pode ser agravado por situações dramáticas, como uma revolução. A rainha não estava mais livre para se mover, então é claro que isso iria exacerbar suas emoções. Você pode realmente sentir isso em sua escrita.”

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