Novo minidinossauro achado na Ásia dá pistas da evolução de aves

Características de crânio do Oculudentavis khaungraae, preservado em âmbar em Mianmar, apontam para um dos menores e mais antigos pássaros já encontrados

Crânio do Oculudentavis khaungraae preservado em âmbar: tamanho semelhante ao do menor pássaro contemporâneo, o beija-flor zumbidor. Crédito: Lida Xing

A descoberta de um pequeno crânio semelhante a um pássaro, descrito em um artigo publicado na revista “Nature”, revela uma nova espécie, Oculudentavis khaungraae, que poderia representar o menor dinossauro mesozoico conhecido em registro fóssil.

Enquanto trabalhava em fósseis do norte de Mianmar, uma equipe de pesquisadores da China, dos Estados Unidos e do Canadá descobriu um espécime de crânio aparentemente maduro preservado em âmbar há 99 milhões de anos. O tamanho do espécime é igual ao do beija-flor zumbidor (Mellisuga helenae), o menor pássaro vivo.

“A preservação de vertebrados em âmbar é rara, e isso nos proporciona uma janela para o mundo dos dinossauros na extremidade mais baixa do espectro de tamanho corporal”, disse Lars Schmitz, professor associado de biologia no Departamento de Ciências W.M. Keck, do Scripps College (EUA), um dos líderes do estudo. “Suas características anatômicas únicas apontam para um dos menores e mais antigos pássaros já encontrados.”

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A equipe estudou as características distintas do espécime com varreduras de síncrotron de alta resolução para determinar como o crânio do Oculudentavis khaungraae difere do de outros espécimes de dinossauros semelhantes a pássaros da época. Eles descobriram que a forma e o tamanho dos ossos dos olhos sugeriam um estilo de vida diurno, mas também revelavam surpreendentes semelhanças com os olhos dos lagartos modernos. O crânio também mostra um padrão único de fusão entre diferentes elementos ósseos, bem como a presença de dentes.

Combinação inédita

Os pesquisadores concluíram que o tamanho minúsculo e a forma incomum do espécime sugerem uma combinação de recursos nunca vista antes.

A descoberta representa um espécime anteriormente ausente do registro fóssil e fornece novas implicações para a compreensão da evolução das aves, demonstrando a extrema miniaturização do tamanho do corpo de aves no início do processo evolutivo. A preservação do espécime também destaca o potencial dos depósitos de âmbar em revelar os limites mais baixos do tamanho do corpo dos vertebrados.

“Nenhum outro grupo de pássaros vivos apresenta espécies com crânio similarmente pequeno em adultos”, disse Schmitz. “Essa descoberta nos mostra que temos apenas um pequeno vislumbre de como eram os pequenos vertebrados na era dos dinossauros.”

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