O Brasil na imprensa alemã (07/04)

Jornais da Alemanha destacam a crise política no governo Bolsonaro, a falta de coordenação nacional na luta contra a covid-19, a carta de empresários cobrando o governo federal e a destruição da Amazônia.Die Welt – O potencial é inacreditável (07/04)

Reformas no governo, mortes por covid-19, militares resmungões: o saldo do presidente Jair Bolsonaro é devastador. […] O Brasil está sendo abalado por dois graves terremotos ao mesmo tempo: uma enorme crise política no governo e um estado de emergência relacionado ao coronavírus. No centro de ambos está um presidente que não parece ser capaz de lidar com a situação há muito tempo.

A epidemia assola violentamente o maior país da região, de 210 milhões de habitantes: mais de 300 mil brasileiros já morreram, e o número diário de mortes se aproxima de 4 mil. A pandemia, há muito tempo ridicularizada por Bolsonaro como uma “gripezinha”, está levando o sistema de saúde à beira do colapso: a banalização sistemática desse flagelo [pelo presidente] está custando caro ao Brasil – em todos os aspectos. Novas mutações são esperadas, e elas abrigam perigos adicionais.

Quando o ex-capitão Bolsonaro – que foi dispensado das Forças Armadas após problemas disciplinares – assumiu o governo no início de 2019, ele tentou fazer dos militares brasileiros o principal pilar de seu poder. Ele até nomeou o ex-general Hamilton Mourão como vice-presidente. Mourão, por sua vez, aparecia mais por seus discursos inteligentes e declarações políticas moderadas do que por slogans populistas. Mas quando Bolsonaro demitiu o ministro da Defesa em uma grande reforma ministerial, os três comandantes das Forças Armadas renunciaram em protesto. Este é um bom sinal para o Brasil: o populista de direita não conseguiu usar as Forças Armadas para manter seu próprio poder – um sinal encorajador!

Para o cientista político Cristiano Romero, porém, isso não significa que o presidente aprendeu algo com a crise atual: Bolsonaro se sente comprometido somente com o próprio universo político criado por ele – e, consequentemente, com seus seguidores nas redes sociais, os chamados “Bolsominions”. Eles ainda são estimados em 30% do eleitorado e são em grande parte recrutados em um núcleo cada vez maior de apoiadores de igrejas evangélicas brasileiras.

Handelsblatt – Cessa a confiança do empresariado em Bolsonaro (06/04)

Primeiro foram algumas dezenas, depois centenas; por fim, mais de 1.500 investidores financeiros, banqueiros, empresários e economistas assinaram um apelo aberto ao governo: “O país exige respeito; a vida necessita da ciência e do bom governo”, dizia o título.

Em 2.700 palavras, a elite do empresariado brasileiro pediu que o governo recomendasse o uso de máscara em público, tomasse medidas para garantir o distanciamento social e coordenasse nacionalmente a luta contra a pandemia do coronavírus – tudo o que é considerado realmente óbvio no combate à pandemia do vírus. Mas não no Brasil de Jair Bolsonaro.

Por um ano, o presidente se referiu ao coronavírus como uma gripezinha. Em nenhum lugar do mundo se infectam e morrem tantas pessoas pelo coronavírus como no Brasil. Ainda em janeiro, Bolsonaro bloqueava a compra de vacinas e tentou impedir, por meio do Supremo Tribunal Federal (STF), que governadores impusessem bloqueios e toques de recolher.

Essas demandas por um mínimo de gerenciamento de crise parecem, na verdade, quase revolucionárias. O manifesto [dos empresários] causou agitação em Brasília, apesar do nome do presidente não aparecer na carta. No Congresso, que Bolsonaro mantém submisso com privilégios e orçamentos generosos, os presidentes [da Câmara e do Senado] criticaram cautelosamente o chefe de Estado insolente pela primeira vez.

O populista de direita reagiu rapidamente: ele velozmente mudou algumas de suas posições em 180 graus. Agora, ele se mostra de repente como um apoiador da vacinação desde o início, funda um comitê de crise e desde então tem usado máscara em eventos públicos, algo que ele nunca fez antes na pandemia. Ele também fez uma reforma ministerial.

O apelo vinculante do empresariado fez soar o alarme na “cozinha” do gabinete de Bolsonaro – composta por seus filhos e meia dúzia de generais da reserva –, porque o empresariado não foi apenas decisivo para a vitória eleitoral do então deputado federal em 2018. Até hoje, os empresários estão entre os maiores apoiadores do presidente.

[…] Fora do círculo de apoiadores de Bolsonaro, como evangélicos, nostálgicos da ditadura ou soldados e policiais, os empresários estão entre os mais importantes adeptos do ex-capitão no palácio presidencial. Se ele perde o apoio, fica ameaçada a reeleição no final de 2022. […] Há duas razões para a crescente decepção do empresariado com Bolsonaro: sua gestão catastrófica da crise na pandemia que está empurrando a recuperação econômica ainda mais para o futuro. E, por outro lado, as promessas de reforma não cumpridas na economia.

TAZ – Os pulmões do mundo estão em chamas (01/04)

A destruição global da floresta continua sem controle, mesmo em tempos de coronavírus. De acordo com uma avaliação de dados fornecidos por satélite publicada pela plataforma ambiental internacional “Global Florest Watch”, um total de 4,2 milhões de hectares de floresta primária tropical – dimensão que corresponde à área da Holanda – foram destruídos ao redor do globo no ano passado. Registrou-se ainda um aumento de 12% em relação a 2019.

As maiores perdas foram registradas no Brasil: 1,7 milhão de hectares da Floresta Amazônica foram destruídos por fogo ou desflorestamento – um aumento de 25% em relação ao ano anterior. Em segundo lugar no ranking está a República Democrática do Congo, que desmatou cerca de um terço da área destruída pelo Brasil.

Como pode ser visto nos dados de satélite, o motivo mais forte para o desmatamento é o uso agrícola, mas também o calor extremo e a seca desencadearam vários incêndios enormes que destruíram grandes áreas de floresta no Brasil, Austrália e Sibéria.

[…] No Brasil, o desmatamento na Amazônia aumentou drasticamente sob o presidente populista de direita Jair Bolsonaro. Bolsonaro reduziu os fundos para programas de proteção ambiental e promoveu a abertura de áreas protegidas para a agricultura e mineração. É “comovente” ver como a destruição da floresta tropical no Brasil acelerou novamente, diz a especialista em florestas Frances Seymour, do observatório ambiental World Resources Institute (WRI), em Washington. Além da emissão de gases de efeito estufa dos incêndios, a perda de espécies raras de animais e plantas é particularmente grave. A Amazônia é considerada o “tesouro” global da biodiversidade.

fc/ek (ots)

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